Presidente do Senegal considera reversível rotura de países do Sahel com CEDEAO

O novo Presidente do Senegal considerou hoje possível a reconciliação da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) com os três países do Sahel que romperam com o grupo, sob a liderança de juntas militares.

Bassirou Diomaye Faye, que tomou posse em abril, visitou hoje o vizinho Mali antes de seguir para o Burkina Faso, na sua primeira visita aos dois Estados que, juntamente com o Níger, anunciaram em janeiro a sua saída da CEDEAO, acusando-a de ser subserviente à antiga potência colonial, a França, e de não os apoiar o suficiente contra o terrorismo ‘jihadista’.

Os três países formaram a Aliança dos Estados do Sahel (AES) e anunciaram a fundação de uma força conjunta para lutar contra o terrorismo.

Faye disse que conversou longamente sobre a CEDEAO com o chefe da junta militar maliana, o coronel Assimi Goïta, e que a sua posição, “embora rígida, não é totalmente inflexível”, disse à imprensa ao lado do seu anfitrião.

A CEDEAO é “muito mal dirigida”, mas “não devemos resignar-nos e dizer que já não podemos fazer nada. Há dificuldades, temos de falar uns com os outros, compreendê-las, e a partir do nível de compreensão e das diferenças de posição, ver o que é possível construir a partir da base que existe”, afirmou.

Faye disse que quer trazer esses três países de volta à organização regional, da qual fazem parte os lusófonos Cabo Verde e Guiné-Bissau, mas que não foi a Bamako como um mediador nem “mandatado por nenhum órgão da CEDEAO”.

O novo Presidente do Senegal defende o pan-africanismo e a soberania, palavras de ordem dos regimes militares que tomaram o poder em sucessivos golpes de Estado no Mali, Burkina Faso e Níger desde 2020.

O Senegal partilha centenas de quilómetros de fronteira com o Mali e mantém importantes relações comerciais e humanas com este país. A situação de segurança no Mali e no Sahel e o risco de propagação ao Senegal, reconhecido pela sua estabilidade, são desde há muito uma grande preocupação em Dacar.

Inforpress/Lusa

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