Que consequências terá o Uganda por receber refugiados afegãos?

No total, 2 mil afegãos são esperados no Uganda, o maior anfitrião de refugiados em África. Alguns críticos temem ataques terroristas, outros calculam que Museveni poderá “lavar imagem” de violador dos direitos humanos.

Um grupo de 51 refugiados afegãos chegou esta quarta-feira (25.08) ao Uganda onde serão acolhidos temporariamente até serem reassentados de forma definitiva nos Estados Unidos e outros países. O país africano espera 2 mil pessoas que estão a fugir dos Talibãs.

Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Uganda, houve um pedido do Governo americano para que o grupo fosse recebido em Campala.

O Uganda é o terceiro maior destino de refugiados do mundo e traz longa tradição quando o tema é acolhimento, mas este acordo com os EUA não é bem visto por todos. Analistas questionam, no entanto, os critérios do Governo ugandês para fazer este acordo com Washington e temem o desencadear de ataques terroristas no país africano.

“O que o povo do Afeganistão e os Talibãs que assumiram o controle do país pensarão de nós? Se pensarmos que os EUA têm 50 estados, alguns desses estados são maiores do que o Uganda; se pegássemos os 50 estados e os dividíssemos por 2 mil pessoas, cada estado teria 40 pessoas. Por que o Uganda deve então aceitar 2 mil pessoas?”, questiona o político Francis Babu.

Oportunidades para Museveni

No entanto Chris Baryomunsi, ministro da Tecnologia da Informação e Comunicação do Uganda, frisa que os refugiados não serão um fardo para o país, ao contrário do que têm alegados muitos ugandeses. Segundo o governante todos os custos associados serão assegurados pelos EUA durante a passagem do grupo.

“Quando recebemos o pedido do ponto de vista moral, não podíamos recusar porque temos que apoiar a humanidade. Vamos apoiá-los pelo pouco tempo que ficarão aqui e depois seguirão para o seu destino final”, diz Baryomunsi.

Alguns ugandeses temem que a presença de refugiados afegãos no país possa desencadear ataques terroristas por parte de simpatizantes dos talibãs e militantes islâmicos. “Refugiados afegãos podem desviar a atenção de terroristas internacionais como Al Qaeda, Al Shabaab e Estado Islâmico e desestabilizar o país”, diz o historiador Mwambutsya Ndebesa.

Ainda assim o historiador reconhece que o Uganda poderá beneficiar do acordo bilateral, porque os países ocidentais passariam a observar o país como um forte aliado nos seus interesses estratégicos. Segundo Ndebesa, o Presidente Yoweri Museveni “passará uma imagem positiva de que é generoso e lavará a sua imagem quanto aos abusos de direitos humanos”.

O Uganda acolhe mais de 1,6 milhões de refugiados – principalmente do vizinho Sudão do Sul e da República Democrática do Congo. A maioria vive em grandes campos de refugiados no norte do país, mas 81 mil estão na capital Campala.

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