SIACSA acusa Câmara da Praia de tentar “corromper” funcionários para não avançarem com greve

Devido à falta de entendimento com a autarquia, os trabalhadores da CMP voltaram a manifestar-se hoje em frente ao Paços do Concelho.

O presidente do Sindicato da Indústria Geral, Alimentação, Construção Civil e Afins (SIACSA) , Gilberto Lima, afirmou nesta terça-feira, dia 9, ao Balai que a Câmara Municipal da Praia (CMP) terá oferecido uma quantia de 1500 escudos aos funcionários descontentes para não avançarem com a greve. Os funcionários estão desde segunda-feira, dia 8, em frente ao Paços do Concelho a reivindicar uma série de direitos e falam em problemas laborais existentes há alguns anos.

Conforme foi avançado pelo presidente do SIACSA, a quantia terá sido oferecida com o objetivo de impedir que este movimento tenha impacto e acrescentou que alguns funcionários aceitaram a quantia para não participarem do movimento e irem trabalhar durante os dois dias de greve.

Questionado sobre o objetivo da greve, Gilberto Lima avançou que há uma série de reivindicações da classe trabalhadora da CMP, como implementação do Plano de Carreiras, Funções e Remunerações (PCFR) do ano de 2013 em diversas categorias profissionais que não estão atualizadas e não foram cumpridas. O mesmo cita também a falta de materiais, como viaturas para recolha de lixo e prevenção de trabalho, falta de reposição salarial deste ano e um desconto exagerado nos salários dos funcionários, entre outros.

Gilberto Lima vai mais longe e acusa o presidente da CMP de ser o “autor da corrupção” porque uma pessoa que suborna os funcionários para não irem atrás dos seus direitos é “um corrupto”. “A nossa dúvida é, se a câmara não tem condições para subir o salário dos seus funcionários, onde arranjaram esta verba para pagar a cada um 1500 escudos para não fazer a greve”.

Adiantou que existe uma violação frontal do direito do trabalhador por parte da CMP em que querem que os diferentes responsáveis tenham consciência dos seus atos. “O presidente da CMP viveu durante estes quatro anos de mandato de costas viradas para os funcionários que hoje estão a reivindicar respeito pelo direito laboral para trabalharem com qualidade e segurança”.

“Esta situação é uma vergonha, é um ato de desrespeito, em vez de pagar aos funcionários um salário mínimo que dá para cobrir com o poder de compra estão a oferecer 15 mil escudos para as vendedeiras do mercado do Plateau. Deveriam priorizar os filhos de casa”, acrescentou o presidente do Siacsa.

Já Vitor Tavares, dirigente do SIACSA e funcionário da Câmara Municipal da Praia, avançou que segundo as regras do PCFR teria de haver uma mudança de escalão mas que esta nunca foi cumprida pelos recursos humanos da CMP. “Já fui 12 vezes negociar com os responsáveis para cumprir com os direitos dos trabalhadores que assinaram várias atas, mas nenhuma foi cumprida”.

No seu caso em particular, Tavares diz que tem um salário razoável de 33 mil escudos, mas que os restantes funcionários que têm entre 15 a 20 anos a prestar serviços na câmara recebem apenas 14 mil escudos, o que não dá para cobrir com as despesas destes trabalhadores.

“Todos estes anos estamos a trabalhar só de promessas não cumpridas, por isso saímos à rua para irmos atrás dos nossos direitos”. O funcionário da câmara diz que apesar dos anos de serviço a alguns funcionários ainda não foram atribuídos os equipamentos e visto que se está na época das chuvas estão a correr o risco de trabalharem sem equipamentos adequados.

Outro funcionário da CMP, Albertino Lopes afirmou que decidiu participar da greve devido ao abuso do poder, injustiça e violação laboral. “Prometeram-nos um aumento salarial desde janeiro deste ano e já faz sete meses e a câmara não nos deu nenhuma resposta convincente, disseram-nos que não tem data para cumprir com os nossos direitos”.

“Os funcionários da área de saneamento não têm equipamento de trabalho, por exemplo recolhemos animais mortos e lixo em diversas localidades da Praia e não temos luvas para fazer este tipo de serviço com segurança e se não fizermos é nós descontado no nosso salário”, adiantou Lopes.

Após os trabalhadores saírem à rua para reivindicar os seus direitos, a Câmara Municipal da Praia, avançou na tarde de segunda-feira, dia 8, que vai assumir o seu compromisso em resolver as reivindicações dos trabalhadores, destacando que muitos dos problemas atuais são resultantes das gestões anteriores. A informação foi avançada através do Jornal Expresso das Ilhas.

Para além disso, a CMP afirma que tem adotado várias medidas para resolver os problemas dos serviços camarários, que inclui a aquisição de novos camiões de recolha de lixo, formação para os trabalhadores, compra de equipamentos de segurança, resolução de problemas de transporte e negociações com uma clínica para apoiar os funcionários na área da saúde.

O mesmo lamenta a greve e reafirma seu compromisso com o diálogo aberto e a melhoria das condições de trabalho dentro das possibilidades orçamentais.

A greve termina hoje e amanhã os funcionários vão regressar aos seus postos de trabalhos, segundo o presidente do SIACSA , que acrescentou que já estão com um advogado para ajudar os trabalhadores a irem atrás dos seus direitos e que vão colocar a Câmara Municipal da Praia na Justiça.

Segundo a mesma fonte, há planos de fazer uma greve em breve com maior adesão.

Cidália Semedo/ Estagiária

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