Treinadores e dirigentes desportivos pedem “reflexão profunda” sobre o futebol na ilha Brava

Treinadores e dirigentes desportivos das equipas do futebol na Brava, ouvidos pela Inforpress, defendem uma “reflexão profunda” da modalidade na ilha, tendo em conta a diminuição gradual do número de equipas nas competições regionais.

A época desportiva 2022/23 na Brava inicia-se hoje e conta com a participação de quatro equipas das sete equipas federadas na ilha.

Tendo em conta este cenário, em que ano após ano há uma diminuição do número de equipas que participam nas provas, os dirigentes e treinadores que vão participar nesta época defendem e recomendam uma “reflexão profunda” da modalidade na ilha, capaz de envolver todos os dirigentes, a autarquia local, Associação Regional de Futebol da Brava (ARFB), futebolistas, adeptos e sócios, mas também a participação das entidades desportivas nacionais.

Em declarações à Inforpress, o treinador da equipa do Morabeza, Emanuel de Pina, também conhecido como Nêy Lokô, lamentou a saída este ano da equipa da Académica das competições, considerando-a uma equipa histórica da Brava.

Segundo a mesma fonte, já há alguns anos a equipa da Juventude encontra-se inactiva, depois o Sporting da Brava decidiu dar uma pausa para reorganizar e até então não conseguiu retomar a sua participação no futebol e, este ano, a equipa da Académica da Brava também ficou de fora das competições.

“Muitas vezes falamos muito na rua. Adeptos, dirigentes existem vários, mas na altura de pegar e trabalhar são poucos que lançam mão na massa”, anunciou o treinador do Morabeza, considerando que as equipas de futebol na Brava estão a entrar numa decadência.

Neste sentido, pediu “uma reflexão” nesta matéria, realçando que se ainda existem algumas pessoas que e esforçam para apoiar o futebol bravense por paixão, mas se deixarem de o fazer o futebol da Brava “acaba por ficar parado no tempo”.

“É algo que não depende somente do gosto e das reclamações, mas sim de dar um contributo verdadeiro, pois as equipas funcionam somente com pessoas à frente, que vão à luta”, defendeu.

Nesta mesma senda, o treinador adjunto da equipa do Nô Pintcha, Reinaldo Ramos, também lamentou esta diminuição do número de equipas nas competições, defendendo igualmente “uma reflexão” por parte de todos os envolventes no desporto bravense para tentar reverter esta situação, que prejudica as equipas da Brava nas competições nacionais, tendo em conta que os jogos realizados nos campeonatos regionais são em número menor do que nas outras ilhas.

O dirigente da equipa do Corôa Idial Louro, por seu lado, é de opinião que questões financeiras se encontram na base da diminuição das equipas, pois, realçou, hoje tudo depende do dinheiro para ter jogadores e conseguir participar nas competições.

Mas, mesmo assim, sugeriu um encontro “bem organizado e elaborado”, envolvendo todas as entidades desportivas relacionadas com o futebol no sentido de tentar uma solução para o futebol bravense, evitando assim o desaparecimento total desta modalidade na ilha.

Nesta questão, o dirigente da equipa do Benfica Adilson Bango destacou que é necessário sentar à mesa com todos e tentar entender esta situação, pois a questão financeira se encontra na base desta problemática da diminuição das equipas, uma vez que participar no campeonato implica custos.

Entretanto, Edivaldo Lopes, dirigente da equipa da Académica, que este ano fica fora das competições, tem opinião diferente, pois, segundo justificou, a ilha não possui jogadores suficientes para ter mais do que quatro equipas, sublinhando que com este número de equipas é possível ter um campeonato mais competitivo.

“Este ano vamos ter um campeonato mais competitivo, porque cada jogo vai ser um derby e cada equipa vai disputar para vencer”, finalizou este dirigente.

Inforpress

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