UCID acusa sucessivos governos de “manter na pobreza propositadamente” uma “boa franja” da população

O presidente da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID, oposição) denunciou hoje haver “uma vontade expressa” dos sucessivos governos em manter uma “boa franja da população na pobreza”, o que é “feito de propósito”.

João Santos Luís, que falava hoje, em conferência de imprensa, no Mindelo, para uma abordagem do partido ao estado da Nação, com discussão prevista para sexta-feira, 29, na Assembleia Nacional, precisou que se fosse desejo desses governos, com os “recursos e apoios recebidos”, já era tempo de o País estar munido de “robustez económica” para fazer face a choque, sobretudo externos.

“Não tem sido feito porque os sucessivos governos têm apostado simplesmente no sector terciário da economia [prestação de serviços], em que o turismo está incluído”, justificou, ao mesmo tempo, prosseguiu, que os setores primário [agricultura e pescas] e secundário, “a base do desenvolvimento económico”, são “deixados para trás, sem investimentos estruturantes” capazes de permitir um desenvolvimento robusto e preparar o País para suportar os choques.

O líder dos democratas cristãos sublinhou que o País “não está”, por isso, de “boa saúde” por haver uma “vontade expressa” dos governos em manter este sector base como “parente-pobre” do desenvolvimento da economia.

O problema em Cabo Verde, continuou, é que os partidos ganham eleições, trabalham no primeiro ano, às vezes no segundo ano de mandato, “o resto é trabalho para a reeleição” nos anos seguintes.

“São objetivos eleitoralista que impedem a implementação de políticas assertivas no sector económico, o País dar o salto e a população ter outra qualidade de vida”, precisou a mesma fonte, ou seja, continuou, “uma forma de colocar os cidadãos na dependência” do Governo.

“Aliás, temos criticado sistematicamente a política meramente assistencialista do atual Governo, de colocar as pessoas de braço estendido com o tal rendimento de inclusão”, vincou.

Assim, face à situação das crises que afetam o País, a sua economia e as famílias, João Santos Luís pediu ao Governo para atualizar o salário dos trabalhadores que ganham menos de 20 mil escudos/mês, bem como a pensão dos idosos, já que esta classe, advogou, é aquela “a mais vulnerável” e que “passa por maus momentos” nesta altura.

O líder partidário percorreu diversos sectores para caracterizar o estado da Nação, a começar pelos transportes aéreos, que “só criam dificuldades” na mobilidade dos cabo-verdianos entre as ilhas e com o exterior, o marítimo, que “ainda não acertou o passo”, mas também a justiça, a necessitar de uma “verdadeira reforma”, e a saúde, em que notou uma “discriminação negativa” da região norte, pelo Governo, ainda sem máquina de Tomografia Axial Computorizada (TAC) no sistema público.

João Santos Luís “visitou” ainda as áreas do ambiente, juventude, desporto e segurança e, neste último, considerou que a insegurança e a violência nos centros urbanos e na periferia “não se combate somente com medidas repressivas”, mas também, elucidou, com medidas de políticas “inclusivas e adequadas” voltadas para as famílias.

“A Nação não está de boa saúde, vários fatores contribuíram para que se chegasse a este estado (…) contudo, na verdade, o País nunca foi devidamente preparado para suportar choques, sobretudo externos”, sintetizou o líder da UCID.

Inforpress

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