Atunlo suspende contratos a mais de 100 trabalhadores

A empresa conserveira espanhola Atunlo, instalada na ilha de São Vicente, vai suspender contratos a mais de 100 trabalhadores, por quatro meses, dentro de 21 dias, disse hoje à Lusa fonte sindical.

“No dia 23 de fevereiro, a Antulo vai suspender os contratos por 120 dias, derivado à falta de matéria-prima”, referiu o coordenador do Sindicato da Indústria Geral, Alimentação, Construção Civil e Serviços (Siacsa), Heidi Ganeto.

São mais de 100 trabalhadores, com contratos de prestação de serviços, que vão estar em casa a receber metade dos seus salários durante quatro meses.

Segundo o responsável, além da falta de matéria-prima, a empresa enfrenta a “possibilidade de encerrar as portas em Cabo Verde” devido a má situação financeira enfrentada na casa mãe, em Espanha.

“A empresa não pagou os salários do mês de janeiro devido a atrasos: de Espanha deviam transferir o valor, mas ficaram de resolver a situação no dia 09”, adiantou.

Nesta quinta-feira, trabalhadores da Atunlo, protestaram à porta da empresa, após terem conhecimento de que vão receber o salário do mês de janeiro com atraso e em duas parcelas.

No último mês, a conserveira Frescomar, também instalada na ilha de São Vicente, prescindiu de 200 trabalhadores, terminados os contratos de prestação de serviços, por falta de matéria-prima que era fornecida pela empresa espanhola Atunlo.

Cerca de 165 trabalhadores desta empresa ainda continuam a aguardar por um desfecho da situação laboral.

“A situação da Frescomar, quando despediu 200 trabalhadores, derivou da situação da Antulo, que fornecia o atum. Derivado da sua situação, criaram-se dificuldades a essa empresa”, explicou Ganeto, referindo que ainda não há previsão de regresso e que o sindicato não tem nenhuma informação por parte da conserveira.

A Frescomar é uma sociedade anónima cabo-verdiana e espanhola que se dedica à transformação de pescado e sua comercialização, tendo a Europa como principal mercado.

O grupo conserveiro Atunlo, de origem galega, anunciou em meados de dezembro o início de um processo de despedimento de cerca de 80 pessoas devido ao encerramento de uma fábrica em Santoña, Cantabria, por “causas produtivas e económicas”, segundo a agência de notícias EFE.

A Lusa tentou obter esclarecimentos junto de ambas as empresas, mas não obteve respostas.

Lusa

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on pinterest