Aumento do preço preocupa mas pais e encarregados de educação ainda conseguem adquirir materiais escolares

Os preços dos materiais escolares, à exceção dos manuais, sofreram um aumento neste arranque do novo ano letivo, o que constitui uma preocupação para os entrevistados pelo Balai Cabo Verde, mas a maioria diz que ainda consegue arcar com as despesas.

Com o arranque do ano letivo a 19 de setembro, o Balai percorreu alguns dos estabelecimentos da capital para ver a quantas anda a aquisição dos materiais e uniformes nas lojas habituais.

No Platô, Darlene Tavares, responsável comercial da papelaria Académica, explica que houve um pequeno aumento, face aos anos anteriores, no preço dos materiais escolares, nomeadamente: cadernos, canetas, lápis e entre outros. “Os únicos a manter o preço são os livros”, diz e acrescenta que o aumento dos produtos escolares aconteceu em todo lado já que se deve à situação da crise, agravada com a pandemia e a guerra na Europa.

A mesma fonte explica que apesar das reclamações acerca do preço dos produtos, as famílias não deixam de levar os produtos. “Estamos a começar a ter enchente de pessoas”.

Apesar de existir “o hábito de deixar tudo para a última hora, “este ano houve muita procura pelos materiais mais cedo”, esclarece Darlene Tavares. No entanto, acrescenta que há muitas famílias que não conseguem mesmo adquirir os materiais antecipadamente por que esperam pelo salário e outros dependem de ajudas.

O manobrador de máquinas Osvaldo Teixeira, pai de dois estudantes, que se encontrava juntamente com a filha na loja para comprar os materiais, afirma: “Para os que trabalham não está tão caro assim”. Acrescenta que encontrou todos os itens escolares que estava à procura.

Na mesma linha, a monitora infantil Risa Mendes, mãe de um filho, esteve na papelaria para comprar livros e cadernos e encontrou tudo o que precisava. Esta progenitora acredita que o preço dos produtos aumentou devido à crise, mas acrescenta que o preço não está muito elevado.


Uniformes

Na Fazenda, Emília Monteiro, gerente da loja Casa Monteiro, que vende uniformes escolares e também alguns materiais e outros produtos, com exceção aos livros, afirma que tem tido uma boa procura por parte das pessoas e que espera que nas próximas semanas haverá bastante fluxo.

Segundo a responsável, este ano a procura foi menor do que em anos anteriores e um movimento “totalmente diferente”, quando anteriormente havia filas enormes à porta da loja.

A nível de uniformes dispõe de dois tipos de tecido e o preço varia consoante o mesmo: a sarja, pelo preço de 1100 escudos, e o bambu, “que é mais quente” por 800 escudos.

Sobre o acréscimo de 50 escudos nos materiais, Emília Monteiro acredita ser razoável e dentro da possibilidade dos cabo-verdianos, já que “os preços dos produtos tinham que subir, por que vêm do exterior”.

Para Domingas Silva, doméstica e mãe solteira, que se deslocou para comprar o uniforme da filha estudante, o preço do uniforme e dos materiais escolares está elevado, e acrescenta que o salário mínimo que ganha não chega para arcar com as despesas da família, como renda, luz e água e ainda comida. Diz que outros encarregados de educação com mais de um filho e/ou que não trabalham acabam por sofrer por causa dos preços elevados.

Entretanto, Sandra Ramos, outra mãe que também esteve na loja para comprar uniforme para o filho, acredita que preço dos uniformes é razoável.

Na loja Confeções Alves Monteiro, na Achada Santo António, Cibelle Spínola, responsável comercial explica que a loja vende uniformes de todas as escolas da capital e ainda uniformes de duas escolas do interior de Santiago, e que os preços variam de escola para escola e de tecido para tecido (tem 5 tipos diferentes).

A responsável afirma que com o aumento dos preços “vários clientes acabam por reclamar, mas que não deixam de levar os produtos para casa” e considera que a adesão das pessoas tem sido boa, visto que têm tido muita procura.

Soraia Fonseca, médica e que estava na loja para comprar o uniforme do filho, diz que em relação aos anos anteriores o preço não mudou muito, entretanto, que face ao aumento do preço dos produtos alimentícios, “a situação ficou cada vez mais difícil”.

De acordo com o anúncio do Ministério da Educação, as atividades escolares do ano letivo 2022/2023 começam a 19 de setembro, em todo o arquipélago, e terminam a 23 de junho de 2023.

De realçar que no momento desta reportagem, os livros do 9º ano até ao 12º ano ainda não se encontravam à venda nas papelarias.

Cátia Gonçalves/ estagiária

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