Aumento dos “chapas”: Moçambicanos desconfiam de apoio estatal

Para compensar aumento da tarifa dos “chapas”, município de Maputo anunciou que vai apoiar os utentes. Mas cidadãos desconfiam do método de pagamento do subsídio – o cartão “Famba” – que lhes traz más memórias.

O município de Maputo anunciou, na quarta-feira (27.07), a subida da tarifa do transporte semicoletivo, vulgo chapa. A tarifa passará do equivalente a 12 para 29 cêntimos de euro, para uma distância até 10 km, e de 23 para 34 cêntimos, para quem percorre mais de 10 km.

Cidadãos ouvidos pela DW África revelaram o seu desagrado perante a notícia.

“Torna-se um pouco mais difícil custear todas as despesas”, disse um residente de Maputo. Uma cidadã disse que, primeiro, seria necessário “aumentar o salário antes de aumentarem a tarifa do transporte”.

O regresso do cartão “Famba”

Para minimizar o impacto da nova subida do chapa, o vereador para a área da mobilidade no município de Maputo, José Nichols, anunciou um subsídio para os utentes, através da reativação do cartão eletrónico “Famba”.

“Em todos os terminais e paragens principais temos cabines da Agência Metropolitana, onde o munícipe se pode registar e obter o cartão para ter direito a este subsídio. Quando ele apanhar o transporte, pagará 19 meticais [29 cêntimos de euro], dos quais 12 meticais [18 cêntimos] são do seu bolso e os restantes sete correspondem ao subsídio do Governo”, explica.

Segundo José Nichols, o município e o Governo central estão a criar condições para que, desta vez, o cartão “Famba” seja usado de forma efetiva.

Cidadãos denunciam “burla”

Mas o “Famba” não é muito bem visto pelos cidadãos, que chegam a afirmar que foram “burlados” quando o cartão foi introduzido há dois anos.

“Achava que era um milagre, mas transformou-se num inferno, porque tenho algum dinheiro [no cartão], mas as maquinetas estão desligadas”, conta Nilton Cumbe.

Para o munícipe Cassamo Mohamed, utilizador do chapa, o cartão “Famba” é um “engano”.

“Isso já existia e, dois meses, depois desapareceu. Os próprios cobradores ou motoristas diziam que não há sistema ou que está avariado. A pergunta que fica é ‘porque é que comprámos o cartão Famba?”

Também o jornalista Nádio Taímo entende que o cartão eletrónico não é solução para os problemas de transporte em Maputo: “O Governo deveria ir encontrar novas formas de subsidiar o transportador sem ser através do cartão. Praticamente, o Famba não funciona. Não podes querer subsidiar através de uma coisa que não funciona”.

A nova tabela de tarifas foi aprovada depois de proprietários de autocarros e “chapas” protestarem, no início de julho, contra o aumento do preço dos combustíveis.

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