Autárquicas 2024: António Monteiro ainda pondera candidatar-se à Câmara de São Vicente devido a questões familiares

O cabeça de lista por diversas vezes da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID, oposição), António Monteiro, disse estar ainda a ponderar mais uma candidatura à Câmara Municipal de São Vicente devido a questões familiares.

“Ainda está em análise, porque há outras exigências que me levam a não decidir de forma rápida, como foi nas outras alturas, questões familiares”, assumiu o deputado nacional, em entrevista à Inforpress.

Contudo, segundo a mesma fonte, a decisão deverá ser tomada “em breve”, para depois ser comunicada ao partido, e de seguida o presidente, a Comissão Permanente e a Comissão Política devem analisar a questão e ditar as devidas resoluções.

António Monteiro asseverou que das conversas tidas com os membros da UCID, estes estão a contar com ele para mais este desafio, mas, da sua parte, quer contar com o “apoio pleno” da família.

Por enquanto, asseverou, pretende continuar a dedicar-se de “corpo e alma” ao ofício de deputado nacional e continuar a defesa dos interesses do circulo eleitoral de São Vicente, pelo qual foi eleito e que diz ter um “lugar especial” no seu coração.

Aliás, questionado sobre o estado da ilha que representa, o deputado sublinhou que a ilha “poderia estar melhor”.

“São Vicente é uma ilha que tem um potencial extraordinário, mas, acho que foi perdendo o fulgor”, considerou António Monteiro, regressando ao passado dos anos 70-80, nos quais a cidade do Mindelo, era, sustentou, “um centro bastante dinâmico a nível comercial, desportivo, cultural, intelectual e da indústria ligeira”.

O município, advogou, tinha “uma boa pujança”, mas, com o andar dos anos está-se a ver que a ilha “não conseguiu aguentar a pedalada do desenvolvimento “e está a ser “ultrapassada” por outras partes do território nacional.

Instado sobre de quem é a culpa, António Monteiro acredita que “aqui há culpas repartidas”.

“Há culpas por parte do poder local, que não tem tido a capacidade e uma visão de longo alcance para poder montar medidas, políticas, que ajudem neste desenvolvimento e há também a responsabilidade do poder central que, em certos momentos, não dá toda a atenção e não disponibiliza os recursos necessários para que São Vicente retome a sua caminhada”, criticou.

Numa panóplia de “desafios”, António Monteiro apontou a “decadência” da indústria ligeira na ilha, o aeroporto internacional ainda sem condições para receber voos noturnos, “grave situação” de jovens dependentes da droga e vários outros.

Um panorama que, conforme a mesma fonte, precisa ser invertido, para São Vicente “voltar ao patamar que merece”.

António Delgado Monteiro, 62 anos, nasceu em São Tomé e Príncipe, é filho de pais naturais da ilha de Santo Antão e vive no Mindelo desde os 12 anos.

Foi em 1994, que participou pela primeira vez numa campanha por altura das eleições intercalares em São Vicente, em que fez parte da lista da UCID, liderada por Francisco Silva.

Em 2004, o engenheiro electromecânico posicionou-se pela primeira vez como cabeça de lista à Câmara municipal, eleição na qual elegeu-se como vereador.

Desde então, tem-se apresentado como cabeça de lista, tanto nas autárquicas, como nas legislativas.

Agora para as próximas eleições de 2024 em São Vicente ainda não se decidiu pela sua candidatura, mas, também os outros partidos, Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição) e Movimento para a Democracia (MpD, poder), ainda não anunciaram oficialmente os seus candidatos.

Entretanto, o activista Carlos Araújo anunciou desde o ano passado que pretende candidatar-se como independente.

Nas eleições de 2020, para além de António Monteiro, candidataram-se à Câmara Municipal de São Vicente, Augusto Neves (MpD), Albertino Graça (PAICV) e Nelson Lopes do Movimento Independente Más Soncent (MIMS).

Inforpress

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