Black Panthers: Presidente nega qualquer ligação à emigração ilegal e diz nunca ter sido notificado para responder em Portugal

O presidente da Associação Juvenil Black Panthers, Alcides Amarante, refuta as acusações de crimes de auxilio à emigração ilegal e de qualquer coautoria na falsificação de documentos, adiantando nunca ter sido notificado pelo Tribunal Judicial de Leiria.

Questionado pela Inforpress sobre a suposta ligação com o presidente do Académico de Leiria e se efectivamente foi notificado pelo colectivo de juízes do Tribunal Judicial de Leiria (Portugal), para ser julgado a 26 do corrente na Marinha Grande, Alcides Amarante disse que nunca foi intimado e que não conhece os motivos porque vai responder.

“É uma situação que se arrasta há mais de 15/20 anos e que, efectivamente não faz sentido. Não entendi como é que vou responder em Portugal, se até ao momento não fui intimidado em nada. Parece mais uma novela, coisa feita de má fé e que na devida altura quem de direito responderá por isso”, referiu, ressalvando que nunca deu parecer a advogado algum para a sua defesa e que “é tudo caricato”.

O líder dos Black Panthers disse que não tem qualquer plano para viajar para Portugal nesta altura, afirmando mesmo que se encontra de “consciência tranquila e com energia para continuar a sua missão”, alegando que isto não vai afectar em nada”.

Amarante afiançou que tomou conhecimento desta acusação através de pessoas amigas que lhe alertaram sobre a notícia na imprensa cabo-verdiana, tendo, entretanto, afirmado que o Académico de Leiria se afigura como o parceiro mais antigo dos Black Panthers, “com frutos dados e que é das associações que têm ajudado bastante” esta ONG, sobretudo, em termos de infraestruturas e equipamentos.

Esclareceu que na base desta parceria, o Black Panthers conseguiu levar para intercâmbios em Portugal grupos de artistas, desportivas para conjuntos de actividades, no quadro de outras deslocações feitas por outros países europeus, sublinhando que todas estas delegações viajaram com visto emitidos pela Embaixada de Portugal, mediante comprovativos dos documentos exigidos.  

De acordo com o despacho de acusação, o Académico de Leiria e a “Black Panthers”, têm uma parceria desde a década de 1990 para a deslocação a Portugal de comitivas para actividades desportivas e culturais.

O Ministério Público (MP) referiu que os arguidos “engendraram um esquema” que visava introduzir em Portugal, de forma ilícita, cidadãos cabo-verdianos, “a pretexto de participar num intercâmbio cultural”, recebendo daqueles, “como contrapartida, avultadas quantias pecuniárias, que repartiam entre ambos” de forma não apurada.

Segundo o MP, Luís Pinto emitia “cartas convite” à Associação Juvenil “Black Panthers” para iniciativas desportivas e culturais por parte de cidadãos cabo-verdianos, “bem como as declarações que atestavam o alojamento e o objectivo das estadias”.

Já em Cabo Verde, refere a acusação, Alcides Amarante “providenciava pela obtenção de vistos de curta duração”, sendo que estes “eram concedidos na condição de os requerentes se apresentarem no Centro Comum de Vistos, Secção Consular da Embaixada de Portugal na Praia, após o regresso a Cabo Verde”.

Inforpress

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