BM: Cabo Verde tem “fundamentos sólidos” para alcançar crescimento sustentável liderado pelo sector privado

Cabo Verde tem “fundamentos sólidos” para alcançar o desenvolvimento sustentável liderado pelo sector privado, de acordo com o Diagnóstico do Sector Privado do País (DSPN) feito em conjunto pela International Finance Corporation (IFC) e o Banco Mundial.

O estudo intitulado “Criando mercados em Cabo Verde: Um arquipélago de oportunidades”, e que foi apresentado esta segunda-feira, 04, na cidade da Praia, avalia os sectores onde reformas direccionadas poderiam aumentar o investimento privado, contribuir para o crescimento e apoiar a criação de empregos, alinhando-se com a visão estratégica do Governo.

Segundo o economista do Banco Mundial, Rodrigo Andrade, que juntamente com a economista da IFC Ziene Benkirane apresentou o estudo, o mesmo identificou as principais oportunidades para desenvolvimento e expansão do sector privado no país nos próximos três a cinco anos.

“Tenta identificar alguns temas que são importantes para o desenvolvimento de Cabo Verde, como, por exemplo, estratégias para contornar a sua característica estrutural de ser um pequeno país”, explicou.

Neste sentido, adiantou que as oportunidades de investimento privado em Cabo Verde residem nos sectores do turismo, da economia azul e dos serviços digitais.

“Para aumentar o potencial de crescimento de Cabo Verde e promover um crescimento resiliente e de maior valor acrescentado, devem ser implementadas políticas que se concentrem na diversificação das ofertas turísticas, no avanço do desenvolvimento das cadeias de valor da economia azul e na promoção do crescimento do sector dos serviços digitais”, apontou.

No que se refere ao sector do turismo, este relatório vai além da tradicional oferta de sol e mar, centrando-se em subsegmentos de maior valor acrescentado e amigos do ambiente como são os casos de turismo náutico, turismo cultural e nómades digitais, que, segundo o economista, é um sector que muito cresce desde a pandemia da covid-19.

O relatório, de acordo com a mesma fonte, traz também recomendações para expandir e aumentar a produtividade no sector das pescas por forma a aumentar a sua capacidade de gerar renda e emprego de forma inclusiva e sustentável para as pessoas que dependem disso, para o seu modo de vida.

A aquacultura é outro segmento, que, embora ainda em fase nascente na economia, apresenta grande potencial de expansão nos próximos anos, de acordo com o profissional do Banco Mundial.

O diagnóstico traz também uma análise da economia digital, no sentido de medidas que podem ser tomadas em termos de reformas regulatórias para aumentar o potencial de geração de emprego do sector digital, especialmente para mulheres e para jovens.

Para além das potencialidades, o estudo aponta alguns constrangimentos ao desenvolvimento do sector privado, como o alto custo de energia, transportes irregulares e a questão do próprio ambiente regulatório.

“A curto e médio prazo, é essencial que o Governo de Cabo Verde dê prioridade à resolução destes constrangimentos para que o país possa aproveitar plenamente o seu sector privado e orientá-lo para um crescimento sustentável e produtivo, liderado pelo sector privado”, indicou o economista.

Rodrigo Andrade salientou que a recomendações do estudo devem ser interpretadas também de forma oportunista, no sentido de que, se essas reformas tiverem continuidade e forem implementadas até o final em articulação com as melhores práticas internacionais, elas têm um potencial transformador para a realidade e para as perspectivas do sector privado no país.

“O objectivo deste relatório é ajudar o governo cabo-verdiano a alavancar os seus recursos tangíveis e intangíveis, bem como a sua posição geográfica estratégica entre a África e a Europa, para ajudar na mobilização de capital do sector privado, aproveitando-o para acelerar o crescimento sustentável e mitigar o risco a choques externos”, lê-se no relatório.

A apresentação do estudo contou com a presença do director regional da IFC para África Ocidental e Central, Olivier Buyoya, que reafirmou o compromisso do Grupo do Banco Mundial em apoiar Cabo Verde na sua jornada rumo ao turismo sustentável e à prosperidade.

Inforpress

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