Boa Vista: Passeata com crianças e distribuição de panfletos marcam arranque da campanha de sensibilização sobre tráfico humano

A Associação Crianças Desfavorecidas (Acrides) realizou ontem,25, uma passeata que incluiu a distribuição de panfletos e balões na cidade de Sal Rei para sensibilizar a população e as autoridades sobre o tráfico humano no país, sobretudo de crianças.

 

Esta iniciativa, que arrancou do “coração”do bairro da Boa Esperança, faz parte de um conjunto de actividades em agenda até sexta-feira, 28, que está a ser desenvolvida em parceria com os Serviços de Estrangeiros e Fronteiras de Portugal (SEF), e com o apoio financeiro do Estado Português e da Comunidade Europeia.


Na ilha, a ACRIDES articulou a campanha com a Rede Local de Combate e Prevenção de Contra Abuso e Exploração Sexual da Criança e Adolescente de Boa Vista, em parceria com a Associação Grupo Jovens Solidários de Boa Vista (AGJSBV).


No local de partida, as crianças empunhavam cartazes com frases de sensibilização, balões e ao ritmo de músicas infantis, que deram o mote à passeata.


Entretanto, antes disso, houve ainda tempo para o coordenador da Rede Local de Combate e Prevenção de Contra Abuso e Exploração Sexual da Criança e Adolescente de Boa Vista, Lamine Fati, dirigir algumas palavras aos mais pequenos e à população presente, explicando-lhes o roteiro e os objectivos da campanha.


No Comando policual da Comarca da Boa Vista, acompanhado de agentes da Polícia Nacional e membros da AGJSBV, o grupo entregou balões a um dos responsáveis de segurança, com quem entabulou algumas conversas.


De seguida, na Câmara Municipal da Boa Vista, foi a vez do vereador do Desporto e Juventude, Abel Ramos, receber também das mãos dos mais pequenos balões e panfletos de sensibilização com conteúdos sobre o tema.


Já nas instalações da Policia Judiciária (PJ), os pequeninos tiveram também oportunidade de ouvir o responsável daquela força de segurança que os apelou a denunciarem aos pais, professores, encarregados de educação ou responsáveis de confiança quando tiverem suspeitas ou forem vítimas de quaisquer tipos de abuso.


À semelhança do que aconteceu nas outras instituições, no final entregaram também balões e panfletos à PJ, rotina repetida ao longo da passeata que teve o seu término no mesmo local de partida, o bairro da Boa Esperança.


“Queremos passar a mensagem para que se tenha consciência de que o tráfico humano existe, e para as pessoas não deixarem ser iludidas, porque quando isso acontece as pessoas são traficadas sem se dar conta”, alertou Lamine Fati, em declarações à imprensa.


Lamine Gati deu exemplo de um cabo-verdiano que foi traficado sem der por conta, através de propostas enganosas de trabalho, indicando também lições de muitas mulheres que vivenciam exploração sexual, assim como jogadores de futebol, alunos ludibriados com promessas de estudos em universidades, todos vitimas também de tráfico.


“Peço aos pais que fiquem mais atentos aos seus filhos, aos jovens, à população de Cabo Verde, em especial à da Boa Vista, para que fiquem mais alertas, e não se iludirem com falsas propostas de sair fora do país, porque não somos mercadorias para ser vendidas ou compradas”, reiterou, apelando ao engajamento de todos nestas lutas para combater estes flagelos e males sociais.


Durante três dias, serão realizadas outras actividades, com destaque para encontros que acontecem com as comunidades imigradas da costa africana, com os professores da escola secundária da Boa Vista, e com os alunos que moram no bairro da Boa Esperança.


Até sexta-feira, 28, no decorrer dos encontros, será apresentada a Rede Local de Boa Vista, com o objectivo de informar sobre o tráfico humano, projecções de vídeos e esclarecimentos sobre os seus conteúdos, entre outras actividades.


Inforpress

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