Brava: Escassez de milho e ração há quase um mês preocupa criadores que pedem intervenção urgente

A escassez de milho e ração animal na ilha Brava há quase um mês está a preocupar os criadores locais, que apelam a uma intervenção urgente das entidades competentes para resolver a situação.

Em declarações à Inforpress, o criador Carlos de Pina considerou que o cenário é crítico, sobretudo para os produtores com um elevado número de animais.

“Tenho muitos animais e neste momento estou a sentir na pele a falta de milho e ração para alimentar a minha criação”, afirmou.

Segundo explicou, as informações de que dispõe indicam que a carga de milho e ração se encontra na cidade da Praia, mas não está a chegar à Brava devido à falta de transporte marítimo de carga para a ilha.

Para minimizar os impactos da situação, aquele criador revelou ter recorrido à compra de pequenas quantidades de milho na ilha do Fogo.

“Para desenrascar mandei comprar algum milho no Fogo para tentar alimentar os meus animais, mas a situação para nós, criadores, nestes últimos dias, é muito preocupante em relação à alimentação do gado”, disse.

Pina questionou ainda o facto de a ilha do Fogo continuar a receber mercadorias, enquanto a Brava está sem abastecimento há quase quatro semanas.

“Não entendo porque o Fogo está a receber carga e a Brava não. Por isso, apelo a quem de direito para uma intervenção urgente, porque estamos com muitas dificuldades”, reforçou.

Também o criador Eduardo da Rosa manifestou preocupação com a situação, classificando-a como extremamente complicada para o sector pecuário da ilha.

“O milho e a ração estão na cidade da Praia, mas não compreendo porque essa carga não chega à nossa ilha há mais de quatro semanas. O Governo e as entidades responsáveis devem intervir porque necessitamos destes produtos para cuidar dos nossos animais. Caso contrário, a situação ficará cada vez mais difícil”, alertou.

Por sua vez, o empresário Carlos Araújo, responsável por uma loja de venda de milho e ração na Brava, confirmou a ruptura de estoque destes produtos no mercado local.

Segundo explicou, o abastecimento não depende apenas dos comerciantes, uma vez que o principal constrangimento está relacionado com o transporte marítimo.

“Também sou criador e estou a sentir na pele a falta destes produtos. A informação que temos é que o navio Praia d’Aguada estava prestes a embarcar carga para a Brava, mas surgiu um problema e a embarcação continua no cais da Praia. Já o navio 13 de Janeiro deslocou-se para São Vicente”, afirmou.

Carlos Araújo pediu compreensão aos clientes e manifestou esperança numa resolução próxima do problema.

O empresário adiantou ainda que existem indicações de que o navio Kriola poderá transportar parte da carga para a Brava nos próximos dias, permitindo algum alívio no abastecimento e garantindo alimentação para os animais.

 

A situação continua a gerar apreensão entre os criadores da ilha, que aguardam uma solução rápida para evitar maiores prejuízos ao sector pecuário local.

Inforpress

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