Cabo Verde avança para Zona Económica Especial para a Tecnologia

O Governo vai criar uma Zona Económica Especial para a Tecnologia (ZEET), com um ‘hub’ na Praia e uma extensão na ilha de São Vicente, tendo já aprovado o respetivo decreto-lei, avançou o vice-primeiro-ministro.

“Com esta iniciativa, pretendemos atrair grandes empresas tecnológicas para produzirem serviços em Cabo Verde e vender para o resto do mundo. Ou seja, o Parque Tecnológico terá de captar o interesse do mercado regional e internacional e do investimento direto estrangeiro de modo a contribuir para o seu crescimento, consolidação, credibilização internacional”, disse Olavo Correia.

O decreto-lei que cria e regulamenta a ZEET foi aprovada na passada quinta-feira, em reunião do Conselho de Ministros, e conforme previsto neste modelo de Zonas Económicas Especiais envolve benefícios fiscais e outras facilidades para investidores.

“Mas sobretudo, queremos, com esta iniciativa, criar oportunidades para os talentos cabo-verdianos que atuam no setor das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) para testarem soluções aqui, nos Centros Tecnológicos do país”, afirmou ainda o vice-primeiro-ministro, que acumula também as pastas das Finanças e da Economia Digital.

Segundo Olavo Correia, “vão ser criadas todas as condições” para que os jovens “possam criar, inovar, produzir serviços e exportá-los à escala regional e mundial”, a partir de Cabo Verde.

“Vamos montar na cidade da Praia um ‘hub’ tecnológico, com uma extensão em São Vicente, e que vai permitir de Cabo Verde uma referência na sub-região africana, em termos da criação de condições para os talentos”, disse ainda Olavo Correia, assumindo tratar-se de um “investimento matricial para o futuro” do país, com aposta na “juventude mais criativa”, na inovação e na “exportação de serviços tecnológicos”.

A nova ZEET surge associada ao Parque Tecnológico a instalar em Cabo Verde pela empresa pública TechparkCV, que vai envolver a construção de centros de negócios, de incubação e centros de dados, bem como empreendimentos imobiliários tecnológicos (vales) na Praia e no Mindelo.

A informação consta de um decreto-lei de setembro de 2020, que a Lusa noticiou na altura, em que o Governo cabo-verdiano aprova a constituição da TechparkCV, sociedade de capitais públicos com um capital de 100 milhões de escudos (quase um milhão de euros). A missão principal da empresa estatal, lê-se no documento, é instalar e promover o desenvolvimento do Parque Tecnológico de Cabo Verde, assim como “facilitar a criação e o crescimento de empresas inovadoras e oferecer outros serviços de valor acrescentando, em espaços e instalações de elevados padrões de qualidade”.

Nesse âmbito, e dentro do objetivo do Governo de transformar o arquipélago de Cabo Verde em “Cyber Island [Arquipélago Digital]”, captando investimento e empresas de base tecnológica, uma das novidades do Parque Tecnológico a implementar pela TechparkCV nos polos previstos para a Praia (ilha de Santiago) e Mindelo (ilha de São Vicente), são os designados “vales”, ou “zonas contíguas de imobiliária tecnológica”.

São os casos dos futuros “Castelon Vale”, na Praia, e “Julion Vale”, no Mindelo, “empreendimentos de imobiliária tecnológica complementares ao Parque Tecnológico”, desenvolvidos em parceria com as autarquias e a estatal Imobiliária Fundiária e Habitat (IFH), geridos pela TechparkCV.

Estes “vales” – inicialmente dois, mas que o Governo admite alargar a outras ilhas – destinam-se a “acolher empresas de base tecnológica que pretendam aproveitar o ecossistema de mercado – empresas – emprego – capacitação” do futuro Parque Tecnológico Arquipélago Digital.

Este Parque Tecnológico a desenvolver pela TechparkCV envolve a construção, nos dois polos, de centros de negócios, de incubação, de formação e certificação, ainda centros de dados e dos “vales” tecnológicos.

A componente física do Parque Tecnológico de Cabo Verde está atualmente em construção na Praia, com conclusão prevista para este ano, através de um investimento de cerca de 32 milhões de euros financiado pelo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) e com uma contrapartida do Estado de Cabo Verde em cerca quatro milhões de euros.

 

Lusa

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