Cabo Verde estuda novas embaixadas, alargamento da cobertura e embaixadores por tema

O Governo vai estudar a criação de novas embaixadas em zonas estratégicas para o arquipélago, bem como a instituição de embaixadores para determinados temas, e pretende alargar a extensão da jurisdição das atuais missões diplomáticas.

“É um exercício justamente para ver em que medida é que poderemos otimizar a eficácia das missões diplomáticas e futuras outras, dependendo do interesse e da visão que nós temos com a política externa, no sentido também de abrir ou não outras embaixadas em diferentes continentes”, explicou hoje a secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Cabo Verde, Miryan Vieira.

O tema, segundo a governante, foi abordado esta manhã na reunião do Conselho do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Integração Regional, que decorreu na cidade da Praia.

“Esta análise é basicamente o diagnóstico daquilo que nós já temos e a partir daí perspetivar a abertura ou não de outras embaixadas. Mas a curto prazo, o que nós vamos fazer é a extensão da jurisdição das atuais embaixadas, a fim de otimizar a sua atuação junto de outros países com os quais Cabo Verde tenciona ter parcerias estratégicas”, acrescentou, em declarações aos jornalistas, no final da reunião, que foi presidida pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Integração Regional, Rui Figueiredo Soares.

Cabo Verde tem atualmente 21 representações diplomáticas e postos consulares, sendo 16 embaixadas em diferentes continentes, duas missões permanentes e três consulados de carreira ou consulados gerais.

De acordo com a governante, a “proposta de redimensionamento da rede diplomática e consular” em estudo prevê também a nomeação de embaixadores para determinados temas: “Como sejam para as áreas como mudanças climáticas, oceanos, economia digital e outros temas que vierem a revelar-se relevantes”.

Para já, explicou, o primeiro passo deste processo passa por, a partir das estruturas atuais, “ver como estender a jurisdição das referidas missões diplomáticas em outros países” e só depois “eventualmente a abertura de outras missões diplomáticas”.

Segundo Miryan Vieira, Cabo Verde “vai abrir a breve trecho” uma missão diplomática em Rabat, decisão que surge na “perspetiva de estudar e aprofundar as relações económicas e empresariais” com Marrocos.

“Não estamos a pensar, a curto prazo, fazer nenhum encerramento das embaixadas, mas basicamente este primeiro exercício é de ter efetivamente uma perspetiva para a extensão da jurisdição da cobertura das atuais embaixadas que nós temos e de ver, também de acordo com a prioridade a ser definida pelo Governo, a abertura ou reabertura de outras embaixadas”, disse ainda.

De acordo com a secretária de Estado, o “exercício” em curso é de avaliar a atual rede diplomática, mas o “fator orçamental é algo a ter em conta” igualmente, sobretudo face à crise económica que ainda afeta o país.

“O que nós estamos a fazer nesse exercício, sobretudo as propostas que vão sair, é o equilíbrio entre a disponibilidade orçamental e, obviamente, os interesses do país. Porque para se ter uma diplomacia ativa há que também ter instrumentos para a efetiva realização da diplomacia. Isso passa, obviamente, pelas embaixadas e pelas missões diplomáticas que Cabo Verde tem no exterior”, disse.

“Mas tudo isso são questões que serão devidamente ponderadas e qualquer decisão que se venha a tomar vai ser em concertação, obviamente, com o Ministério das Finanças, com o Ministério dos Negócios Estrangeiros e outros departamentos do Governo”, acrescentou a secretária de Estado.

Neste processo, a diplomacia cabo-verdiana prevê igualmente “fazer a extensão dos consulados honorários”, sobretudo em áreas atualmente sem representação diplomática.

Lusa

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