Cabo Verde precisará sempre da ajuda de Portugal, diz José Maria Neves

Cabo Verde precisará sempre da ajuda de Portugal, diz José Maria Neves

O Presidente da República, José Maria Neves, disse hoje que o arquipélago "precisará sempre da ajuda de Portugal", destacando que tem sido "um parceiro extraordinário" na ajuda que deu ao país africano.
Reprodução Facebook da Presidência da República de Cabo Verde

“Cabo Verde precisará sempre da ajuda de Portugal e Portugal tem sido um parceiro extraordinário de Cabo Verde”, disse José Maria Neves, num painel partilhado com o Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, que encerra o Fórum Eurafrica, que termina hoje em Carcavelos, nos arredores de Lisboa.

“O nível de relacionamento que existe é excelente e nos períodos de seca temos tido enorme apoio de Portugal, agora durante a pandemia e desde o primeiro momento, primeiro no apoio aos testes, contámos com forte apoio na campanha de vacinação”, exemplificou.

O chefe de Estado cabo-verdiano destacou ainda o apoio no programa de recuperação económica. “Conseguimos rapidamente negociar a questão da dívida para reescalonar os pagamentos e aliviar o serviço da dívida, e agora estamos a discutir questões mais elevadas e sensíveis em termos de gestão deste período de transição”, disse.

José Maria Neves assumiu que Cabo Verde vive um momento “extremamente difícil”, lembrando os sucessivos anos de seca, a pandemia e os condicionalismos regionais que afetam o arquipélago.

“Em termos institucionais, as coisas funcionam, há boas condições de governabilidade e políticas, mas do ponto de vista social e económico a situação é extremamente difícil por causa dos sucessivos anos de seca, por causa da pandemia, e também por causa da instabilidade a nível internacional, particularmente por causa da guerra na Ucrânia”, disse o chefe de Estado.

“Estamos num contexto difícil na África Ocidental, onde temos a pirataria marítima, há instabilidade política nalguns países, há terrorismo no corredor do Sahel, o contexto é muito difícil e a seca e a pandemia trouxeram devastação económica ao país, em 2020 perdemos 15% do PIB, o desemprego subiu, as desigualdades também e a pobreza e é neste contexto difícil que muitas vezes procuramos respostas simplistas”, alertou.

Cabo Verde precisa de 80 milhões de euros, que procurará “com diferentes parcerias, com o Banco Africano de Desenvolvimento, com o Banco Mundial e do Banco Europeu de Investimentos, para discutir um conjunto de investimentos privados na transição energética e com os diferentes países, designadamente Portugal”, acrescentou o chefe de Estado.

José Maria Neves lembrou a ideia de transformar a dívida em investimentos em energias renováveis, na área da transição energética e na economia azul, salientando o objetivo de passar de 25% de energias renováveis para 50% de penetração em 2030.

“A solução agora é acelerar o ritmo de penetração das renováveis e reduzir a dependência fóssil e abrir para aproveitarmos o mar de oportunidade que há no mar cabo-verdiano e podermos assim garantir a diversificação da economia no quadro da estratégia do governo, que é ter um centro internacional de prestação de serviços”, salientou o Presidente.

O chefe de Estado reconheceu que “como o país não tem recursos naturais tradicionais, está a ser feito tudo para aumentar substancialmente a penetração de renováveis”.

“Felizmente temos vento, sol e mar”, concluiu.

 

Lusa

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