Cabo Verde quer angariar até 3,2 milhões de euros na primeira emissão em bolsa de obrigações azuis 

A Bolsa de Valores de Cabo Verde prevê realizar em fevereiro a primeira emissão de “obrigações azuis” do país, de até 3,2 milhões de euros, para financiar projetos da economia azul, disse hoje à Lusa o presidente da instituição.

De acordo com Miguel Monteiro, trata-se de uma oferta pública através do International Investment Bank (iiB) de Cabo Verde, que vai decorrer de 23 de janeiro a 28 de fevereiro, prevendo colocar de 250 milhões de escudos a 350 milhões de escudos (2,3 milhões de euros a 3,2 milhões de euros), com maturidade a cinco anos e taxa de juro de 4%.

“Em primeiro lugar é pelo facto de desde 2014 não haver ofertas públicas e esta vai ser uma oferta pública. Ou seja, no caso em concreto vão ser as obrigações do iiB, denominadas Marine and Ocean Based Blue Bond série D, e que na prática pretendem financiar o desenvolvimento de projetos na área da economia azul”, disse.

Ainda segundo o presidente da BVC, a emissão – que será apresentada publicamente na segunda-feira, no Mindelo, na presença do primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, no âmbito da passagem por São Vicente da Ocean Race, a maior e mais antiga regata do mundo – prevê um montante de 50 a 100 milhões de escudos (450 a 900 mil euros) para o banco financiar, através de uma linha própria, microemprendedores e pequenos investimentos deste setor.

“Mas também pretende viabilizar a inclusão financeira neste mesmo setor da economia azul, através de financiamentos diretos ou através de parcerias com instituições de microfinanças para crédito de pequena escala a particulares e pequenas empresas no setor marítimo e pesqueiro sustentáveis”, explicou Miguel Monteiro.

O valor restante a angariar pelo iiB com esta oferta pública servirá para financiar projetos de maior dimensão, também no setor da economia marítima.

“Ligados à proteção costeira, virados sempre para este setor, sendo uma ‘Blue Bond’, uma obrigação azul, tem de ser para este setor (…) E naturalmente que durante e no final destes cinco anos vão ser emitidos relatórios de alocação desses valores, para que todos possam saber em concreto onde é que foram feitos”, disse ainda.

“Na prática é para empresas do setor marítimo e pesqueiro, sustentáveis”, acrescentou Miguel Monteiro.

Além de se tratar da primeira emissão apenas para financiar projetos do setor ligados à economia azul, esta é também a primeira emissão pública em quase uma década, como destaca o presidente da Bolsa.

“Neste caso, qualquer cabo-verdiano de Santo Antão à Brava, qualquer cabo-verdiano no estrangeiro ou qualquer estrangeiro aqui em Cabo Verde ou mesmo lá fora, poderá subscrever essas obrigações. Ou seja, poderá investir nessas obrigações”, apontou.

Fora de Cabo Verde, a subscrição destas obrigações pode ser feita através da plataforma online Blu-X, uma ferramenta recentemente desenvolvida e destinada à promoção do financiamento do desenvolvimento sustentável de Cabo Verde e da região africana, em particular da economia azul, através da emissão e negociação de títulos sustentáveis, tais como, títulos azuis, verdes, socais e de sustentabilidade.

“E uma grande novidade para os nossos emigrantes cabo-verdianos, porque o Orçamento de Estado de 2023 já previa esta situação, investindo neste instrumento, na prática não vão ter de pagar imposto, o que não acontecia até 2022. Agora já não pagarão imposto. Ou seja, considero que é uma boa oportunidade, claro que quem vai investir precisa ver a ficha técnica, o prospeto, porque há outros detalhes que é preciso salvaguardar”, enfatizou Miguel Monteiro.

“Veio para realçar a importância que Cabo Verde e a Bolsa de Valores dão à economia azul”, destacou ainda o responsável, sobre a plataforma BLU-X, que resulta de uma parceria com o Programa das Nações Unidas em Cabo Verde.

A BVC fechou o ano com um resultado histórico de dez colocações bolsistas, face à média anual de quatro antes de 2022, tendo o montante de emissões no mercado primário, incluindo títulos do tesouro, atingido os 27.925 milhões de escudos (253,3 milhões de euros), um recorde desde o início das atividades da Bolsa.

“Vamos ultrapassar as dez emissões feitas no ano passado”, afirmou Miguel Monteiro, sobre as perspetivas atuais para 2023.

A capitalização da Bolsa de Valores de Cabo Verde ultrapassou no final de dezembro os 106.844 milhões de escudos (968,9 milhões de euros), impulsionada pelo crescimento das emissões bolsistas.

A capitalização bolsista – aproximação do valor de mercado das empresas e títulos – da Bolsa de Valores de Cabo Verde já tinha ultrapassado em abril, pela primeira vez na sua história, os 100 mil milhões de escudos (915 milhões de euros).

A Bolsa de Valores de Cabo Verde foi criada em maio de 1998 e conta ainda com quatro empresas cotadas, com destaque para o Banco Comercial do Atlântico (BCA, detido pelo grupo Caixa Geral de Depósitos) e para a Caixa Económica, e outras que emitem obrigações.

Lusa

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