Cabo Verde quer cativar 4.000 “nomadas digitais” para trabalhar remotamente no arquipélago

Cabo Verde quer cativar 4.000 “nomadas digitais” para trabalhar remotamente no arquipélago

Cabo Verde pretende cativar 4.000 estrangeiros qualificados para trabalhar remotamente a partir do arquipélago nos próximos três anos, através do programa “Nómadas Digitais”, uma das estratégias para reinventar o turismo durante a pandemia de covid-19.

O objetivo consta do Programa do Governo para a legislatura (2021 a 2016), que será discutido na segunda-feira no parlamento e que obriga à votação de uma moção de confiança ao Governo, com o executivo liderado por Ulisses Correia e Silva a assumir a continuidade do programa “Remote Working Cabo Verde – Nómadas Digitais”, apresentado no final de 2020.


O Governo afirma que “desenvolverá o empreendedorismo jovem no setor do turismo associado às Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), como é o exemplo do Projeto Reinventa Turismo” e que “estimulará e incentivará” o programa “Nómadas Digitais”.


“Pretende-se no espaço de três anos captar 4.000 clientes que passarão a viver em Cabo Verde por longas estadas (seis a 12 meses), de onde passarão a trabalhar, juntando o trabalho ao lazer e permitindo injetar dinheiro nas economias locais”, aponta o executivo, no Programa do Governo.


A Lusa noticiou no final de 2020 que Cabo Verde pretende seduzir cidadãos europeus, americanos e de países de língua portuguesa para trabalharem remotamente a partir do arquipélago, através de um programa que permite estadias de seis meses com um visto temporário de trabalho.


O programa “Remote Working Cabo Verde” surge quando o arquipélago, sem turismo praticamente desde março de 2020, tenta relançar o interesse internacional como destino de sol e praia, reforçado pela conjuntura segura face à pandemia, depois do reforço da capacidade laboratorial de despiste da doença e já com unidades de saúde certificadas internacionalmente.


Lançado oficialmente pelo Governo cabo-verdiano em dezembro, o programa consiste num visto temporário de trabalho com a duração de seis meses, com possibilidade de renovação por igual período, num custo total por pessoa de 54 euros, prevendo isenção do pagamento de imposto sobre o rendimento para os trabalhadores independentes que se fixem no arquipélago em teletrabalho.


Sol, praia, hospitalidade, tranquilidade e uma ligação garantida à Internet de alta velocidade, para “trabalhar enquanto aprecia a beleza natural do país”, são argumentos apresentados na campanha no exterior, consultada pela Lusa e que é válida para trabalhadores independentes e respetivas famílias.


O programa, cujas candidaturas podem ser apresentadas por via eletrónica, destina-se apenas a cidadãos de países da Europa, América do Norte, da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO). Obriga, além de um teste negativo para a covid-19 para entrar no arquipélago, à apresentação de prova de rendimentos, nomeadamente um saldo médio bancário de pelo menos 1.500 euros nos últimos seis meses, para um visto individual, e de 2.700 euros para um visto de família.


Segundo o ministro do Turismo, Carlos Santos, trata-se de um programa que se insere na retoma do turismo em Cabo Verde, após as restrições devido à pandemia de covid-19, tentando em simultâneo diversificar a oferta turística cabo-verdiana.


Acrescenta que surge precisamente porque o teletrabalho ganhou força, no contexto da pandemia, já que “de repente, as pessoas deram conta que é possível trabalhar longe das empresas”.


“Ou seja, fora dos espaços ou dos escritórios. E aqui o que está a ser feito é aproveitar esta nova largada, esta ênfase que se está a colocar nos nómadas digitais para se conseguir, então, aproveitar essa oportunidade de negócio”, afirmou Carlos Santos.


Com a aposta em curso, anterior à pandemia, num ‘hub’ tecnológico no arquipélago, e tirando partido da localização estratégica entre África, Europa e América, o ministro garante o objetivo de juntar as vantagens competitivas de Cabo Verde: “Ou seja, será a economia digital a dar cartas numa altura em que trabalhar fora dos escritórios começa a ser uma realidade e ganha maior importância, devido à condição de distanciamento e de não aglomeração de pessoas”.


Cabo Verde registou em 2019 um recorde de mais de 819 mil turistas, mas essa procura caiu mais de 70% em 2020, devido às limitações impostas internacionalmente para travar a transmissão da covid-19.


Lusa

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