Cabo-verdianos aprendem mandarim a pensar em oportunidades na China

Mais de 5.000 cabo-verdianos aprenderam mandarim e cultura chinesa em Cabo Verde nos últimos seis anos, desde a abertura do Instituto Confúcio, curso que os mais jovens encaram como uma oportunidade de futuro na China.

Luana Pires, 21 anos, natural da Praia, explicou à Lusa que desde criança que tinha o sonho de aprender várias línguas e que através de uma amiga teve o contacto com o mandarim. Decidiu também aprender aquela língua, no instituto que funciona na Universidade de Cabo Verde (UniCV).

“A cada dia tenho aprendido coisas novas e não penso em parar com as aulas pois isso irá fazer diferença no meu futuro”, afirmou Luana.

A estudante, que há dois anos frequentou um curso de espanhol, disse ter encontrado nas aulas de mandarim uma “ponte para o futuro”.

“Quem sabe eu vá viajar para a China. Problemas com a língua não vou ter”, contou.

Inaugurado em dezembro de 2015, o Instituto Confúcio começou a lecionar cursos de língua e cultura chinesa em janeiro de 2016 e segundo dados da instituição, possibilitou que “mais de 5.000 alunos começaram a estudar a língua chinesa”. Agora funciona no novo campus da UniCV na Praia, precisamente financiado e construído pela China, por 5.600 milhões de escudos (50,7 milhões de euros).

A língua chinesa e respetiva cultura já entrou no currículo de vários jovens cabo-verdianos, sendo atualmente ministrada, também, num curso superior da UniCV e em 15 escolas secundárias das ilhas de Santiago e São Vicente, refere a mesma fonte do Instituto Confúcio.

Partilhando o sonho de viajar para a China, Janice Lopes, 20 anos, teve o seu contacto com a língua chinesa em 2021, quando a UniCV abriu o seu curso superior e acabou por começar a frequentar as aulas naquele instituto.

“Penso em viajar para a China, conhecer as pessoas. Quem sabe morar por lá”, explicou a estudante, à conversa com a Lusa ao entrar para a formação no Instituto Confúcio.

A jovem, que ainda sonha em estudar medicina na China, confessou que além da oportunidade gostou do desafio da nova língua, apesar das dificuldades iniciais: “Apanhei o gosto pelo mandarim e sou uma aluna aplicada”.

Além dos estudantes, o Instituto Confúcio refere que anualmente realiza “ações de formação” para professores voluntários de língua chinesa e ações de formação em língua portuguesa destinadas aos professores chineses a cumprir missão em Cabo Verde.

“Estas ações de formação têm como objetivo melhorar a capacidade linguística dos professores, de modo a estimular uma melhor interação com os alunos cabo-verdianos. Têm, também, como objetivo o melhoramento contínuo das várias regras e regulamentos, para uma gestão mais eficiente”, referiu fonte da instituição.

Além destas formações, 15 alunos inscreveram-se em novembro passado na primeira licenciatura em Língua, Literatura e Cultura Chinesa em Cabo Verde, o mais recente curso da universidade pública, ministrado no novo campus da UniCV, com o apoio do Instituto Confúcio.

“É um grande dia para a nossa universidade. Conseguimos agora concretizar um sonho acalentado desde 2015”, explicou a então reitora da Uni-CV, Judite do Nascimento, garantindo que para este projeto foram igualmente capacitados quadros cabo-verdianos.

A Agência Reguladora do Ensino Superior (ARES) cabo-verdiano autorizou a Uni-CV, em 21 de outubro, a ministrar a primeira licenciatura em Língua, Literatura e Cultura Chinesa, a qual conta com quatro professores chineses de uma universidade de Cantão e o apoio de mais três voluntários.

 

Lusa

 

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