Cabo-verdianos vão investir 100 milhões de escudos em hotel em Pedra Badejo e pretendem criar cerca de 75 postos de trabalhos

Uma sociedade privada cabo-verdiana prevê investir quase um milhão de euros para construir um hotel junto ao mar em Pedra Badejo, ilha de Santiago, criando mais de 75 postos de trabalho.
Foto Reprodução Facebook

De acordo com um despacho conjunto dos ministros do Turismo e dos Transportes, Carlos Santos, e das Finanças, Olavo Correia, de 21 de julho e consultado hoje pela Lusa, o Governo atribuiu ao Hotel Falucho Paradise Beach o estatuto de utilidade turística de instalação.

O empreendimento turístico está incluído no âmbito da “política nacional traçada para o setor do turismo, considerando o tipo e nível de serviços pretendidos, com aposta na diversificação da oferta turística de qualidade”, justifica o despacho.

A sociedade Falucho Paradise Beach, de dois sócios cabo-verdianos, estima que a construção do hotel, a partir de um edifício na orla marítima de Pedra Badejo, custe 100 milhões de escudos (915 mil euros). Contará com 21 quartos, 40 camas, duas cozinhas, esplanada, dois restaurantes, duas salas de conferências, uma sala de reuniões, uma sala de dança e uma piscina.

Na segunda fase, o projeto prevê instalar no exterior dez bangalôs de 25 metros quadrados cada, acrescentam os promotores, que estimam ainda criar 76 postos de trabalho com este empreendimento.

Para o mesmo local, o Governo tinha atribuído o estatuto utilidade turística de instalação em janeiro de 2006, neste caso para o empreendimento Palm Beach Resort, que foi revogado por outro despacho conjunto dos mesmos ministros, também de 21 de julho, para permitir a sua atribuição ao novo empreendimento turístico.

O arquipélago enfrenta uma profunda crise económica e financeira, decorrente da forte quebra na procura turística desde março de 2020 – setor que garante 25% do Produto Interno Bruto do país -, devido à pandemia de covid-19.

De acordo com o anterior relatório da Movimentação de Hóspedes no país em 2021, a hotelaria cabo-verdiana contabilizou em todo o ano passado 169.068 hóspedes, contra os 207.125 em 2020, em ambos os casos longe do recorde de mais de 819 mil turistas em 2019.

Em 2020, registou uma recessão económica histórica, equivalente a 14,8% do PIB, seguindo-se um crescimento de 7% em 2021 impulsionado pela retoma da procura turística. Para 2022, devido às consequências económicas da guerra na Ucrânia, nomeadamente a escalada de preços, o Governo cabo-verdiano baixou a previsão de crescimento de 6% para 4%.

O número de trabalhadores ao serviço nos estabelecimentos hoteleiros de Cabo Verde cresceu cinco vezes em 2021, para 8.400, indicam dados divulgados em junho passado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Segundo o Inventário Anual de Estabelecimento Hoteleiros, elaborado pelo INE, esses estabelecimentos empregavam diretamente 1.577 trabalhadores no final de 2020 (após um máximo de 9.417 em 2018), registo que assim subiu fortemente (432,7%) no final do ano passado, devido à reabertura progressiva das unidades de alojamento, após as restrições impostas pela pandemia de covid-19.

No final de 2021, segundo o mesmo inventário, Cabo Verde contava com 292 estabelecimentos de alojamento hoteleiro, número que compara com os 124 no ano anterior e os 284 em 2019.

O número de camas disponíveis também voltou a crescer, para 24.156, quando em 2020 eram 4.094 e em 2019 um total 21.059.

A ilha de Santo Antão possuía no final do ano passado 69 estabelecimentos de alojamento turístico (23,6% do total), seguindo-se as ilhas de Santiago, com 65, São Vicente, com 56, Sal, com 32, e Fogo, com 25.

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