Caixa Económica de Cabo Verde com lucro recorde de 8,7 milhões de euros em 2021

A Caixa Económica de Cabo Verde (CECV) registou um lucro recorde de 8,7 milhões de euros em 2021, um aumento de 37,81% face a 2020, e vai distribuir metade em dividendos, segundo o relatório e contas da instituição.

De acordo com o documento a que a Lusa teve hoje acesso, no ano passado a Caixa Económica, um dos maiores bancos de Cabo Verde, teve um resultado líquido de 967,8 milhões de escudos (8,7 milhões de euros) em dezembro de 2021, um crescimento de 37,81% em relação a 2020, que foi de 6,3 milhões de euros.

“O desempenho da Caixa no ano de 2021 esteve em linha com o dos anos anteriores, tendo registado algumas melhorias que contribuíram para o reforço da robustez dos seus indicadores”, escreve o conselho de administração numa mensagem aos acionistas, clientes e parceiros.

Num comunicado, a comissão executiva informou que em 30 de junho vai proceder ao pagamento de metade dos lucros referentes ao exercício de 2021, no valor de 348 escudos (3,1 euros) por ação, totalizando 484 milhões de escudos (4,3 milhões de euros).

No relatório e contas, o banco, que tem uma quota de mercado global de 31 %, notou que o sistema bancário cabo-verdiano “continua com excesso de liquidez, sem alternativas rentáveis e sustentáveis de aplicação, embora em menor proporção”.

“Permaneceram ainda no balanço dos bancos, ativos improdutivos e que já atingiram o prazo limite de permanência sem impacto nos fundos próprios”, prosseguiu a mensagem, referindo que o nível de crédito vencido no sistema bancário continua elevado, tendo-se registado um agravamento associado à crise económica e financeira provocada pela covid-19, apesar das medidas de proteção do Governo.

“Persistiu a instabilidade a nível das taxas ativas praticadas pelos bancos com tendência para a redução da taxa média das operações ativas e consequentemente da margem financeira”, continuou.

De acordo com o relatório, o ativo líquido registou um decréscimo de 2,30% em relação a dezembro de 2020, atingindo 78 mil milhões de escudos (708 milhões de euros), explicado sobretudo pela diminuição de aplicações em instituições de crédito.

Já os depósitos totais, incluindo os títulos da dívida pública, tiveram um decréscimo de 3,82% no ano passado, atingindo quase 70 mil milhões de escudos (634 milhões de euros).

No ano passado, o crédito total líquido, incluindo as obrigações ‘corporate’, a dívida pública, as despesas e juros vencidos, aumentou 5,46%, atingindo 52 mil milhões de escudos (473,6 milhões de euros).

“O acompanhamento da carteira de crédito, a prevenção e a gestão do incumprimento, bem como a busca de soluções para os ativos recebidos em pagamento continuaram a merecer uma atenção reforçada da administração da Caixa Económica, face às incertezas ainda existentes em relação à evolução da carteira de crédito após o fim oficial da moratória prevista para março de 2022”, escreveu o banco.

A Caixa constatou que no ano passado os indicadores da qualidade da carteira de crédito registaram uma “melhoria significativa” em relação a 2020, tendo o rácio de crédito vencido evidenciado uma diminuição de 4,74 pontos percentuais, como resultado do ‘write off’ (abate ao ativo) efetuado e dos continuados esforços de recuperação do crédito vencido.

No ano em análise, a rendibilidade dos capitais próprios foi de 15,42%, um aumento de 2,51 pontos percentuais em relação a 2020, enquanto os capitais próprios da instituição atingiram 6,7 mil milhões de escudos (61,3 milhões de euros), um aumento de 16,71%, “explicado pelos resultados líquidos”.

O rácio de solvabilidade aumentou 2,44 pontos percentuais em 2021, passando de 18,89%, em dezembro de 2020, para 21,33% em dezembro de 2021, nível considerado “confortavelmente superior” ao mínimo regulamentar em vigor que é de 12%, e que no âmbito das medidas de mitigação dos impactos da covid-19, foi reduzido temporariamente para 10%.

Já o rácio de ‘cost to income’, medida de eficiência dos bancos, fixou-se em 49,31%, evidenciando uma degradação de 2,30 pontos percentuais em relação a 2020, explicado essencialmente pela diminuição do produto bancário em resultado da diminuição da margem financeira.

Segundo a administração, o banco continua a enfrentar o desafio de encontrar “oportunidades de crédito enquadráveis” na sua declaração de apetite ao risco para a aplicação da sua liquidez, que disse “continua a nível confortável”, em 30,94% no final do 2021.

Em 2021, a Caixa contava com 34 agências/balcões e três delegações, tinha 393.371 clientes, sendo 379.551 particulares e 13.820 empresas, e 371 trabalhadores.

A Caixa Económica é detida maioritariamente pelo Estado cabo-verdiano, através de uma participação direta no capital social, pelo Ministério das Finanças, de 27,44%, mas também pelo Instituto Nacional de Previdência Social, com 47,21%, e pela empresa pública Correios de Cabo Verde, com uma participação de 15,14%, enquanto outros subscritores e colaboradores têm 10,21% das ações.

Lusa

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