Câmara Municipal da Praia ausculta parceiros para potenciar espaços verdes e reduzir desigualdades

  A Câmara Municipal da Praia em parceria com a FAO iniciou hoje um encontro de auscultação para recolher subsídios que visam melhorar o bem-estar dos cidadãos e reforçar a resiliência dos sistemas urbanos.

O projeto, que se enquadra na iniciativa Cidades Verdes da qual Praia foi escolhida entre as seis primeiras cidades a nível da África, tem, segundo o presidente da Câmara da Praia, Francisco Carvalho, em declarações à imprensa, o propósito de garantir o acesso a um ambiente saudável através de um sistema agroalimentar sustentável, e ao mesmo tempo disponibilizar espaços verdes através de florestas urbanas e periurbanas.

“Este encontro tem lugar no âmbito de um projeto da FAO, Cidades Verdes, que tem como enfoque central a questão de um ambiente sustentável, agricultura urbana e acesso a espaços verdes na cidade”, disse, afirmando que neste momento está-se numa fase de auscultação das associações e entidades para recolha de subsídios e depois a apresentação da proposta da cidade.

Na sua declaração de abertura, Francisco Carvalho considerou o projeto como uma “grande iniciativa” da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), afirmando que as Cidades Verdes são de plena importância a nível mundial e, em particular, para Cabo Verde.

“O projeto aborda três pilares essenciais: sustentabilidade ambiental, agricultura urbana e criação de áreas verdes, questões centrais para o nosso país e para o mundo nesta fase em que todos estamos cientes dos desafios ambientais a que estamos sendo confrontados todos os dias”, acrescentou.

O autarca da Praia, que considera “importante” o reforço do engajamento da autarquia no projeto Cidades Verdes por se tratar de “algo estruturante”, avançou ainda que as questões ambientais, o verde, a sustentabilidade e a energia limpa são temas centrais e objetos de reflexões e elaboração de planos específicos para intervenções estruturantes no município.

Neste âmbito, avançou a existência de um plano de intervenção para o bairro de Ponta d’Água e outros que demonstram o engajamento com o verde no município, como o parque ecológico e a área verde na zona de Taiti.

Após estas declarações, indicou ainda que o maior desafio quanto ao projeto não é ampliar e proteger espaços verdes, mas sim a mentalidade das pessoas no município da Praia.

“Se não mudarmos a nossa mentalidade de pouco vale termos iniciativas brilhantes, porque depois fica o desafio da valorização, da manutenção e da sustentabilidade. Não podemos construir para estar estragado no fim-de-semana e começar de novo no outro dia a consertar”, asseverou.

A representante da FAO em Cabo Verde, Ana Touza, ao usar da palavra frisou que a questão das mudanças climáticas continua a ter impacto severos no meio ambiente, pelo que o futuro deve ser já.

“Mais de 50% da população mora na cidade onde se consome mais energia, pelo que para contrariar a tendência temos de tornar a nossa cidade mais verde, limpas, resiliente e regenerativas”, disse, enfatizando que para contribuir para tornar as cidades mais acolhedoras a FAO lançou Cidades Verdes.

A inclusão de Cabo Verde nesta iniciativa, segundo disse, pode ajudar os bairros a melhorar a subsistência e o bem-estar das populações e torná-las menos vulneráveis aos clima e riscos para a saúde ao diminuir as temperaturas e melhorar a qualidade do ar.

Conforme Ana Touza, a FAO pretende até 2030 abranger mil cidades na iniciativa Cidades Verdes, sendo que a cidade da Praia está entre as primeiras seis escolhidas em África.

Na cidade da Praia, no âmbito da iniciativa foram realizadas obras no bairro de Achada Grande Frente, uma parceria entre a FAO, CMP, União Europeia e o Ministério da Agricultura e Ambiente.

A FAO ajudará os países participantes a utilizar dados georreferenciados e outros indicadores para fornecer uma compreensão rápida e sistemática de potenciais vulnerabilidades a choques, identificar potenciais pontos críticos da biodiversidade e cartografia estratégica de ambientes de retalho alimentar para impulsionar o acesso a alimentos nutritivos onde estes faltam.

Neste processo, as administrações locais serão também ajudadas a promover jardins em terraços e quintais, explorações verticais em estruturas abandonadas e aquacultura de alta tecnologia, bem como a formar os habitantes locais para maximizar o valor de tais oportunidades.

Inforpress

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