CAPE24 recomenda diplomacia climática como eixo prioritário da política externa cabo-verdiana

A terceira edição da CAPE 24 recomendou hoje a diplomacia climática como eixo prioritário da política externa cabo-verdiana, o reforço da agenda climática no diálogo diplomático e o desenvolvimento dos novos mecanismos de financiamento.

Essas são, entre outras, as recomendações saídas da terceira edição da Conferência Anual de Política Externa (CAPE24), promovida pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Integração Regional, de 20 a 22 deste mês, na cidade da Praia, sobre o tema central “Mudanças climáticas e os Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento: Desafios e perspectivas”.

Durante a cerimónia de encerramento, a secretária de Estado, Myrian Vieira, disse que o ficou assente também a necessidade de uma articulação e coordenação institucional permanente reforçada, ateniense às negociações internacionais sobre o clima, particularmente entre os decisores políticos, as equipas negociais e outras ancoragens nacionais.

A nível do financiamento climático e o índice de vulnerabilidade multidimensional sugeriu uma atenção especial aos compromissos financeiros, internacionalmente assumidos e acordados, incluindo a operacionalização do fundo, perdas e danos, associados aos impactos das mudanças climáticas, aumento do financiamento para adaptação e mitigação e o fomento de parcerias.

“Recomendada uma abordagem mais incisiva dos países africanos, que evite a regulação unilateral das questões climáticas, centrando a discussão sobre o clima, financiamento do clima e a necessidade dos SIDS participarem na construção da nova arquitetura financeira internacional, de modo a obter maior e melhor acesso aos instrumentos de financiamento climático e concecionais”, avançou.

Segundo avançou, recomenda-se o engajamento e a participação activa do país na preparação dos eventos internacionais referentes à acção climática, previstas para este ano e a implementação efectiva da estratégia nacional dos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (SIDS, na sigla em inglês), sua integração no Plano Estratégico de Desenvolvimento Sustentado 2022-2026 (PEDS II), bem como o estabelecimento de uma instância nacional de coordenação e a designação de pontos focais sectoriais permanentes para assegurar a inclusão da dimensão dos SIDS no âmbito das medidas de políticas públicas.

Sublinhou a necessidade de reforçar os instrumentos continentais e regionais dedicados às questões do clima e às mudanças climáticas, a capacidade de resposta do país aos efeitos das alterações climáticas em sectores chaves como a economia azul, incluindo o fomento de parceria pública ou privada, facilitação do investimento privado e a redução da dependência externa.

A conferência sugeriu ainda a elaboração um caderno de encargos e a cartografia oceânica de Cabo Verde que possa auxiliar no tratamento das questões relativas às alterações climáticas e à economia azul e desenvolver uma economia oceânica ou com base nos oceanos e mares, assim como a implementação de sistemas de vigilância e protecção dos espaços marítimos sob a jurisdição das ilhas.

Na ocasião, a governante reafirmou ainda a importância de se aperfeiçoar os mecanismos de coordenação com vista a assegurar a coerência da acção nos planos interno e externo, tendo presente a multiplicidade de intervenientes neste domínio, vincada a imperiosidade da diplomacia cabo-verdiana ser mais efectiva na negociação, aproveitando as iniciativas relevantes ao nível bilateral e multilateral para o reforço da capacidade técnica e institucional.

Para finalizar, disse que a conferência recomendou também que o Instituto Diplomático de Cabo Verde assumisse a liderança no que tange a capacitação técnica, tendo em vista uma coordenação mais avigorada no processo de preparação da participação nacional nas COPES, em parceria com as instituições nacionais e globais.

Inforpress

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