Chefe da agência da ONU para refugiados palestinianos “chocado” com suspensões de fundos

O chefe da agência da ONU para os refugiados palestinianos (UNRWA) considerou hoje “chocantes” as suspensões de fundos por diversos países doadores após uma polémica sobre a eventual colaboração de funcionários seus com o Hamas no ataque a Israel.

“É chocante assistir à suspensão de fundos em reação às alegações contra um pequeno grupo de empregados”, atendendo às medidas já decididas e desempenho da agência “da qual dependem dois milhões de pessoas para a sua simples sobrevivência”, declarou em comunicado Philippe Lazzarini.

Em 2022, os fundos provenientes do orçamento ordinário das Nações Unidas e de outras agências da organização elevava-se a 44,6 milhões de dólares (41 milhões de euros).

No sábado, Israel prometeu terminar com esta agência da ONU, que ao longo dos anos tem sido decisiva na ajuda humanitária à Faixa de Gaza, na sequência da polémica em torno do possível envolvimento de alguns dos seus funcionários no ataque de 07 de outubro de 2023 pelo Hamas.

A ONU decidiu avançar com uma investigação para confirmar a eventual participação de funcionários da UNRWA no ataque a Israel pelo Hamas e suspendeu cerca de 12 funcionários.

A decisão dos Estados Unidos, que na sexta-feira anunciaram a suspensão temporária de toda a ajuda à agência, foi seguida por Itália, Canadá, Austrália, Reino Unido, Países Baixos, Finlândia, e hoje pela Alemanha.

A Suíça, por outro lado, espera obter mais informações antes de tomar uma decisão sobre a sua ajuda à UNRWA.

Os cinco principais doadores são, por ordem, os Estados Unidos, Alemanha, União Europeia, Suécia e Noruega. A Turquia, Arábia Saudita, Japão e Suíça também são importantes contribuidores.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros português apelou hoje à adoção de “medidas adequadas” e uma “investigação completa e rigorosa” às suspeitas de envolvimento de elementos da UNRWA no ataque a Israel.

“Reconhecendo o trabalho vital da UNRWA, Portugal associa-se à União Europeia e apela à adoção de medidas adequadas e a uma investigação completa e rigorosa”, escreveu no X o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) português.

Entretanto, o Hamas negou que o pessoal da ONU tenha participado nas ações militares e a Autoridade Nacional Palestiniana manifestou “grande espanto com as medidas tomadas por alguns países antes da conclusão das investigações da ONU” para apurar a veracidade das suspeições.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros palestiniano alertou para o facto de a UNRWA ser fundamental para a sobrevivência de muitos habitantes de Gaza, apelando a que fossem primeiro confirmadas as acusações de conluio feitas por Israel.

O Hamas lançou em 07 de outubro um ataque surpresa contra o sul de Israel com o lançamento de milhares de foguetes e a incursão de milicianos armados.

O ataque de 07 de outubro causou a morte de mais de 1.140 pessoas em Israel, a maioria civis, segundo uma contagem da AFP baseada em números oficiais israelitas.

Cerca de 240 pessoas foram raptadas e levadas para Gaza, segundo as autoridades israelitas.

Cerca de cem foram libertadas no final de novembro, durante uma trégua em troca de prisioneiros palestinianos, e 132 reféns continuam detidos no território palestiniano, 28 dos quais terão morrido.

Em resposta, Israel declarou guerra ao Hamas, movimento que controla a Faixa de Gaza desde 2007 e que é classificado como terrorista pela União Europeia e Estados Unidos, bombardeando várias infraestruturas do grupo na Faixa de Gaza e impôs um cerco total ao território com corte de abastecimento de água, combustível e eletricidade.

Inforpress/Lusa

 

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on pinterest