Cimeira económica em Berlim: Mais investimento em África?

Políticos de África e da Europa voltam a reunir-se na capital alemã, Berlim, para alargar o programa “Compact with Africa”. O objetivo é aumentar o investimento privado em África. Até à data, os resultados são díspares.

O objetivo é claro: África e Europa querem trabalhar em conjunto de forma mais estreita e oferecer incentivos mais fortes ao investimento privado. Por isso, o chanceler da Alemanha, Olaf Scholz, organiza a cimeira económica “Compact with Africa”, que hoje junta, em Berlim, a capital alemã, muitos chefes de Estado e políticos africanos.

“Compact with Africa” foi uma iniciativa da presidência alemã do G20 em 2017, quando o então governo alemão de Angela Merkelpresidia ao grupo das 20 economias mais industrializadas e emergentes.

“O interesse pelo programa tem crescido de forma constante”, afirma Heiko Schwiderowski, chefe do departamento da África Subsariana na Câmara de Comércio e Indústria Alemã (DIHK). Schwiderowski sublinha que a conferência, com 800 participantes, será a maior conferência empresarial jamais realizada em solo alemão.

Para além do anfitrião Olaf Scholz e do ministro da Economia e da Energia da Alemanha, Robert Habeck, os participantes incluem a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o Presidente francês, Emmanuel Macron, dez chefes de Estado e de Governo africanos e mais de 30 ministros de África.

Mais confiança entre os investidores

De acordo com Heiko Schwiderowski, os líderes empresariais e políticos alemães estão a enviar um sinal muito importante: “vale a pena trabalhar para expandir as relações económicas.” Temas futuros, como as parcerias energéticas e as alternativas para a aquisição de matérias-primas, desempenharão um papel central na atual cimeira de investimento.

O programa “Compact with Africa” está fortemente centrado na boa governação e nos processos de reforma em muitos países africanos. Schwiderowski vê melhorias visíveis neste domínio. Isto gera confiança, também entre os investidores alemães. Os números relativos ao comércio voltaram a aumentar significativamente.

Até ao momento, 13 países africanos aderiram à iniciativa: Benim, Burkina Faso, Costa do Marfim, República Democrática do Congo (RDC), Egito, Etiópia, Gana, Guiné, Marrocos, Ruanda, Senegal, Togo e Tunísia. A África do Sul, uma das maiores economias de África, assumiu a co-presidência.

Outros países, como Angola, Zâmbia, Nigéria e Quénia, participam na conferência como convidados. Mas será que a iniciativa “Compact with Africa” se aproximou realmente do seu objetivo de promover mais crescimento e, consequentemente, prosperidade no continente africano?

Transparência na cooperação

Para o analista ganês Emmanuel Bensah, o programa é, sem dúvida, um instrumento importante para analisar as economias africanas. Iniciativas como esta são um indicador do seu desenvolvimento, “porque permitem obter uma imagem instantânea dos diferentes países e ver o que está a acontecer com eles e o que precisa de ser melhorado”, diz.

Bendah também refere a Área de Comércio Livre Continental Africana (AfCFTA), que está atualmente a ser criada. Mas só será bem sucedida se o setor privado for capacitado e trabalhar de forma transparente com os governos, disse em entrevista à DW.

Mas na opinião do perito queniano X.N. Iraki, ainda é muito cedo para fazer um balanço. “O Compact with Africa foi uma grande ideia, mas seis anos é um período demasiado curto para ver os efeitos”, disse à DW o analista económico da Universidade de Nairobi. O sucesso desta iniciativa económica ainda não se concretizou.

Embora a programa deva atrair investidores dos países do G20, os fundamentos no terreno não são necessariamente favoráveis ao investimento privado, acrescenta Iraki: “Não temos infraestruturas muito boas, há instabilidade política e a convicção de que os países africanos precisam de ser ajudados por alguém”. Em vez disso, é altura de os países africanos assumirem mais responsabilidades. “Ainda está em fase de desenvolvimento, vamos dar-lhe mais tempo”, conclui.

O especialista económico alemão Robert Kappel é menos otimista. Considera que o programa está numa “fase de fadiga”. “É necessário reformar este modelo e prestar muito mais atenção ao facto de os interesses de África desempenharem um papel muito mais importante”, afirma em entrevista à DW. “Os interesses de África residem na industrialização, que cria empregos”, destaca Kappel.

É verdade que muitos países africanos iniciaram reformas e melhoraram as condições de enquadramento. Países como a Costa do Marfim, o Gana, o Senegal, a Etiópia e a Tunísia também registaram um aumento do investimento privado dos países do G20, embora num nível ainda bastante baixo. No entanto, apenas dois países estão a investir, principalmente no setor da energia e das matérias-primas: Marrocos e Egito.

Para o economista Robert Kappel, seria mais sensato expandir as infraestruturas para impulsionar o comércio intra-africano, que também criaria novos empregos para a maioria da população. No entanto, a avaliação que faz do “Compact with Africa” é que, até agora, ainda não alcançou este objetivo.

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