CNE pede aos partidos para “pensarem duas vezes como fazer a campanha” porque “País continua” depois de 18 de abril

O vice-presidente da Comissão Nacional de Eleições (CNE) apelou hoje “sobretudo” aos partidos políticos para “pensarem duas vezes” como fazer a campanha eleitoral, porque depois de 18 de abril “há mais vida, Cabo Verde vai continuar”.

Amadeu Barbosa falava hoje no final de uma visita a São Vicente, no âmbito da preparação das eleições legislativas de 18 de abril, e disse ter constatado “algumas anomalias”, como passeatas e colagem de alguns cartazes, na antecâmara da campanha eleitoral, que principia esta quinta-feira, 01 de abril.

Barbosa considerou que a CNE encontra-se a preparar umas eleições “mais justas, livres e transparentes”, garante a parte administrativa, sobretudo neste momento de pandemia, pelo que não deseja que se repitam alguns comportamentos registados nas autárquicas, embora houvesse um código de conduta assinado por todos, mas que foi “violado e não foi respeitado”.

 

“Nós, desta vez, não vamos produzir deliberação, porque cabia à Assembleia Nacional produzir uma alteração à lei só para esse período, com a qual a CNE e a Polícia Nacional teriam força para tomar medidas”, concretizou a mesma fonte que, no entanto, elogiou o “comportamento exemplar” da Polícia Nacional (PN) na campanha eleitoral para as autárquicas.

 

“Entendemos que é necessário que os responsáveis pelas campanhas, os partidos, tenham tudo isso em consideração”, lançou, ou seja, concretizou, “mais vale acautelar do que avançar para uma campanha eleitoral com aglomeração para depois sofrer uma avalanche de transmissão da doença, que ninguém quer no País”.

 

Mesmo assim, a CNE, segundo Amadeu Barbosa, continua a confiar no bom senso, pois recusa acreditar, como disse, que pessoas com responsabilidade e que ambicionam governar não saibam, num País como Cabo Verde, o que significa uma pandemia como a covid-19.

 

Ou seja, prosseguiu, devem pensar que “não vale a pena ganhar eleições” para depois “sofrer as consequências” de uma “hecatombe”.

 

“A CNE acha que é possível uma contenção, mas a lei não permite que a comissão proíba arruadas ou comícios, pois estão plasmados no Código Eleitoral e na Constituição da República”, precisou o vice-presidente, que informou que já se encontra em São Vicente o material para o voto antecipado.

 

Questionado pela Inforpress sobre o que não correu bem nas autárquicas e que pode ser melhorado agora por ocasião das eleições legislativas, Amadeu Barbosa reconheceu que a formação dos membros das mesas de voto foi o ‘calcanhar de Aquiles’ da CNE nas autárquicas.

 

“Aconteceu que a maior parte dos membros das mesas não participaram na formação e houve ainda situações no País em que pessoas que constituíram as mesas foram lá para cumprir instruções dos seus partidos”, justificou a mesma fonte que, desta vez, assegura a obrigatoriedade dos membros da mesa participarem na acção de formação prévia.

 

“A partir do momento em que receberem o credencial como membros da mesa passam a ser staff da CNE para gerir a mesa, um acto administrativo, em que os partidos não podem dar ordem, pois têm os seus delegados”, concluiu Amadeu Barbosa.

 

Nas legislativas do dia 18 de Abril para a eleição de 72 deputados, em 13 círculos eleitorais, dos quais dez no País e três na diáspora, concorrem seis partidos – PAICV, MpD, UCID, PTS, PSD e PP.

 

PAICV, MpD e UCID concorrem em todos os círculos, PP em seis círculos (Santiago Sul, Santiago Norte, Boa Vista e os três da diáspora), PTS também em seis círculos (São Vicente, Santiago Sul, Santiago Norte e três diáspora) e PSD em quatro círculos (Santiago Norte, Santiago Sul, América e África).

 

As últimas eleições legislativas em Cabo Verde ocorreram no dia 20 de Março de 2016, tendo o Movimento para a Democracia (MpD) vencido com maioria absoluta, ao eleger 40 deputados, o PAICV 29 e a UCID três.

 

Inforpress/Fim

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