Comunidade guineense afirma que visita de Marcelo Rebelo de Sousa “legitima regime golpista” na Guiné-Bissau

A comunidade guineense residente em Cabo Verde manifestou-se hoje “desagrado e repúdio” relativamente a visita do Presidente de Portugal a Guiné-Bissau, afirmando que esta missão “legitima o regime golpista” instalado naquele país africano.

Esta declaração foi feita hoje pelo porta-voz, Simão Monteiro Nancassa, em conferência de imprensa, na Cidade da Praia, sobre o anúncio da visita do chefe de Estado português à Guiné-Bissau dias 17 e 18.


Simão Monteiro lembrou que a Guiné-Bissau é um Estado independente e soberano com o regime democrático consagrado na sua Constituição, mas que o País tem vivido “momentos conturbados”, após as eleições presidenciais 2019, com registo de “violação de direitos humanos e da Constituição da República”, entre outras “acções arbitrárias perpetuadas pelo presidente Umaro Sissoco Embaló”.


“Como é possível reconhecer um presidente eleito e que até hoje não tomou posse conforme os preceitos estabelecidos na nossa constituição, por outro lado, depois de ter assumido o poder, encontrou um governo saído das eleições legislativas, destituiu-o e nomeou um governo de iniciativa presidencial sem conciliação com a nossa constituição”, questionou.


Este responsável reconheceu, no entanto, que a comunidade guineense em Cabo Verde não chegou a manifestar a sua posição aquando da visita do chefe de Estado cabo-verdiano, Jorge Carlos Fonseca, à Guiné-Bissau, e que o faz agora por entender que se está a verificar que os países de língua portuguesa “se aliaram ao Presidente guineense”.


Daí que frisou, Marcelo Rebelo de Sousa está com esta visita, a contribuir para o “reforço da legitimação e manutenção da ditadura” na Guiné-Bissau, salientando que os líderes dos PALOP não deveriam ter a iniciativa de realizar visita dessa natureza a um país como a Guiné-Bissau.


“Isto é muito claro, devemos respeitar os preceitos da nossa constituição, portanto para legitimar um presidente há que se cumprir a constituição”, concretizou a mesma fonte, para quem “em qualquer país do mundo” um presidente eleito deveria tomar posse de acordo com a Constituição, mas isso “não aconteceu”.


“Então como é que vamos continuar a legitimar um Presidente que não formalizou o acto de posse de acordo com a nossa Constituição”, reforçou.


Para a comunidade guineense em Cabo Verde, realçou o porta-voz, a legitimação do Umaro Sissoco Embaló irá provocar “sucessivos desmandos e distúrbios” na governação da Guiné-Bissau, que continua “refém do incumprimento da Constituição da República”, declarando que todos os chefes de Estado da comunidade lusófona deveriam “boicotar” o regime vigente e “pressionar” para o cumprimento das normas da Constituição da Guiné-Bissau.


Apelou, por outro lado, a todos os guineenses no país e na diáspora a manterem-se “firmes na luta contra os incumpridores das leis democráticas” e da “implementação da ditadura que um grupinho quer instalar na Guiné-Bissau com a conivência dos aliados internacionais”.


Umaro Sissoco Embaló, candidato do Movimento para a Alternância Democrática (MADEM-G15), venceu as eleições presidenciais 2019 da Guiné-Bissau com 53,55% dos votos válidos, contra 46,45% do candidato concorrente Domingos Simões Pereira (PAIGC).


Inforpress/Fim

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