Conflitos entre Israel e Hezbollah podem levar o Líbano à guerra

No Líbano aumenta o medo de que possa eclodir uma guerra de grande escala entre o grupo extremista Hezbollah, sediado no sul do Líbano e Israel.

Nesta semana, Israel colocou as suas tropas em alerta máximo depois do grupo extremista chiita Hezbollah, que ataca regularmente Israel a partir do sul do Líbano, ter publicado um vídeo, no qual afirma ter atacado várias infraestruturas militares israelitas, assim como instalações civis, inclusive na cidade portuária israelita de Haifa.

O Ministro das Relações Exteriores de Israel, Israel Katz, avisou os militantes do Hezbollah que estariam a provocar uma “guerra total” na fronteira entre Israel e Líbano.

No início deste mês, grupos de direitos humanos relataram que Israel disparou munições de fósforo branco sobre cidades libanesas, o que – a ser verdade – seria uma violação do direito humanitário internacional. Na semana passada, o Hezbollah disparou mais de 160 foguetes contra Israel em retaliação ao assassinato de dois de seus comandantes por Israel.

Desde o ataque de 7 de outubro de 2023 contra o sul de Israel pelo grupo militante Hamas, baseado em Gaza, que levou à morte de cerca de 1.200 pessoas, a situação na fronteira entre Israel e Líbano tem sido tensa.

Israelitas acham que começar guerra com Hezbollah é uma boa ideia

O Hezbollah, um poderoso grupo libanês que desempenha um papel dominante na vida política e social libanesa, considera o Hamas um aliado e o estado de Israel um inimigo.

Tudo isto levanta preocupações de que a agitação na fronteira se transforme numa guerra em grande escala. Muitos políticos israelitas são de opinião que Israel deveria atacar o Hezbollah o quanto antes possível. Várias sondagens feitas este mês indicam que a maioria dos israelitas acha que começar uma guerra com o Hezbollah é uma boa ideia.

Não está claro se uma guerra mais ampla irá de facto estourar. Os atuais esforços diplomáticos internacionais estão dedicados a evitar isso mesmo. Muitos observadores são de opinião que seria estrategicamente imprudente para Israel abrir outra frente enquanto decorrem as suas operações militares em Gaza contra o Hamas. Eles também apontam que o Hezbollah é um adversário muito melhor armado e mais poderoso do que o Hamas em Gaza.

Libaneses em fuga por falta de segurança

Quanto ao Líbano, o país tem estado mergulhado em crises económicas e políticas há anos. Os cidadãos comuns, apesar de simpatizarem maioritariamente com as causas palestinianas, não querem guerra com Israel. Muitos cidadãos que viviam no sul do Líbano tiveram que fugir das duas terras, sobretudo para a capital, Beirute, por falta de segurança. Alguns voltam regularmente para verificar as suas propriedades, sempre que as coisas parecem mais calmas, ou para assistir a um funeral, por exemplo.

Um dos poucos que permaneceu na sua terra, muito perto da fronteira com Israel é Issam Alawie, que disse o seguinte: “Apesar dos altos ruídos dos bombardeios, a vida aqui é boa. O sul é o sul. Esta é nossa terra mãe. Não vamos abandoná-la e não vamos desistir dela.”

Issam Alawie, tem 44 anos e é pai de sete filhos. Ele permaneceu na sua casa na vila fronteiriça de Maroun el-Ras, com a sua esposa e dois de seus filhos. A família sobreviveu a três ataques aéreos israelitas, conta.

“Até agora, permaneço firme em minha terra. Graças a Deus, estou a sobreviver depois de ter sido atingido por três ataques aéreos. A minha esposa e eu ficámos feridos, mas Alhamdulillah, [graças a Deus], vamos vencer e permanecer firmes”, diz esperançoso.

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