Conselho de Prevenção da Corrupção propõe plano de prevenção da corrupção em todas as entidades públicas

O Conselho de Prevenção da Corrupção (CPC) vai propor a criação e implementação de plano de corrupção em todas as entidades públicas como forma de reduzir o aumento da corrupção em Cabo Verde.

A informação foi avançada hoje pelo presidente do Conselho, João da Cruz Silva, após ter sido contactado pela Inforpress a reagir aos dados do inquérito do Afrobarometer, cujos resultados foram divulgados esta quarta-feira, na cidade da Praia pela Afrosondagem.

Esse estudo apontou para um aumento considerável de percepção da corrupção em Cabo Verde, com a Polícia Nacional e a Assembleia Nacional a serem referenciadas pelos inquiridos como as instituições mais corruptas.

João da Cruz Silva, que é também presidente do Tribunal de Contas, disse que apesar do estudo falar de percepção, que poderá ser diferente da realidade, a situação preocupa o CPC já que o objetivo é de ter um país mais transparente possível e menos corrupto possível.

“Por isso é que o aumento da percepção da corrupção nos preocupa de alguma forma”, disse, adiantando que nos próximos dias a organização, que iniciou as suas funções em Setembro de 2022 vai reunir-se para uma reflexão, devendo desse encontro sair algumas recomendações.

“Já aprovamos um plano de atividades para 2023 onde vamos fazer uma recomendação no sentido de todas as entidades públicas serem dotadas de um plano de prevenção da corrupção”, disse.

Indicou igualmente que se está a trabalhar numa proposta de um regime geral de prevenção de corrupção cuja versão zero será apresentada ao Governo ainda no primeiro trimestre de 2023 para apreciação e aprovação.
Para o presidente da CPC, a corrupção é um dos fenómenos que mais corrói e vulnerabiliza a sociedade, pelo que defende que deve ser combatido e debelado para a construção de uma sociedade mais justa e mais próspera.

Segundo os dados divulgados esta sexta-feira  por José Semedo, director-geral da Afrosondagem, instituição que lidera a equipa da Afrobarómetro em Cabo Verde, houve um aumento considerável da percepção da corrupção no país em todas as instituições inquiridas em relação a 2019.

A Polícia Nacional continua a liderar a lista das instituições apontadas por 25 por cento (%) dos cabo-verdianos como mais corruptas, seguida pela Assembleia Nacional (24%), pela Presidência da República e pelo primeiro-ministro.

De acordo com estudos, 20% da população considera que a maioria ou todos os integrantes destas instituições estão envolvidos em actos de corrupção, sendo que 47% dos inquiridos consideram que houve aumento de casos de corrupção.

Quanto ao desempenho das instituições, 72% dos cabo-verdianos avaliam, de forma positiva, o desempenho do Presidente da República em 2021, 60% em relação ao primeiro-ministro, ao passo que a performance baixa quanto ao desempenho da Assembleia Nacional, 47%.

Já no que se refere à confiança nas instituições, as Forças Armadas continuam a ser a instituição que merece maior confiança dos cabo-verdianos (70%), um aumento da classe de 10% comparativamente a 2019, seguida do Presidente da República com 65%, dos líderes religiosos com 64% e do primeiro-ministro com cerca de 60%, enquanto menos de metade, ou seja, 47% confiam na Assembleia Nacional, enquanto instituição.

Quanto à avaliação do desempenho do Governo no combate à corrupção dentro da instituição governamental, a sondagem conclui que 43% dos cabo-verdianos avaliam negativamente o executivo nesta matéria, percepção da corrupção da população que, de acordo com José Semedo, tem vindo a aumentar desde 2011.

Inforpress

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