Coordenador da JpD defende necessidade de políticas financeiras viradas para jovens do Sal

 O coordenador da Juventude para a Democracia (JpD) questionou hoje a ausência de políticas financeiras viradas para os jovens e exortou o Governo à implementação desse tipo de estratégia, visando melhorar a qualidade de vida desta camada.

Raul Estrela manifestou esta preocupação, na ilha do Sal, em declarações à Inforpress, no âmbito das celebrações do Dia Internacional da Juventude, assinalado a 12 de Agosto.

Segundo o líder da JpD local, um “bom número” de jovens está a conseguir alcançar os seus objetivos a nível académico, ferramenta que lhes permitirá melhorar a sua qualidade de vida, mas regista-se no País muitos jovens formados no desemprego, associado à precariedade laboral.

“Cujos contratos não permitem os jovens fazer o seu projeto de vida, dada a incerteza provocada pelo carácter temporário do vínculo contratual a que está sujeito”, ponderou, referindo, por outro lado, o País e nem as instituições bancárias têm políticas financeiras abertas aos jovens que querem criar a sua empresa, seu negócio, ou têm ambição de casa própria.

“Os que, por exemplo, querem construir casa própria, montar a sua própria empresa ou negócio, são confrontados com taxas de juro exorbitantes. Por mais que haja desenvolvimento, as políticas implementadas não libertam nem favorecem os jovens que queiram andar pelos seus próprios pés, obrigando-os a ficar nas amarras dos patrões, do empregador”, analisou.

Para Raul Estrela há que pensar numa política financeira mais adaptada à realidade da juventude trabalhadora em Cabo Verde.

“Não temos uma política financeira que se adapta com a realidade de um jovem trabalhador com um contrato precário.  Com isso, fica automaticamente limitado, com as mãos atadas, hipotecando o seu futuro”, lamentou a mesma fonte.

“Conheço pessoas que trabalharam toda a sua juventude, já passaram dessa faixa etária, querendo melhorar de vida, não conseguiram avançar por causa dessa situação”, reforçou, ilustrando com a situação de debandada de jovens, trabalhadores e quadros, para o exterior.

Raul Estrela admitiu, entretanto, que o Governo se tem “empenhado” no sentido de fazer face aos anseios dos jovens cabo-verdianos, congratulando-se com a notícia de implementação do processo de Reconhecimento Validação e Certificação de Competências (RVCC) nas áreas da hotelaria, turismo e restauração, com vista a criar as condições necessárias para o acesso à carteira profissional, anunciada há dias pelo ministro das Finanças Olavo Correia.

O reconhecimento, validação e certificação de competências profissionais desenvolve-se com base em referências integradas no Catálogo Nacional de Qualificações e destina-se a indivíduos com idade igual ou superior a 25 anos e experiência profissional mínima de cinco anos.

Os empregados de mesa e bar, os guias de turismo, os pasteleiros, os rececionistas de hotel e os cozinheiros são as profissões regulamentadas para ter acesso à carteira profissional, documento que atesta as competências e qualificações profissionais necessárias para o desempenho de uma profissão ou atividade profissional.

O Governo, através da lei nº107/IX/2020 de 14 de Dezembro, instituiu a carteira profissional como condição indispensável para o acesso e exercício das profissões.

Inforpress

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