Covid-19: Cabo Verde confirma três casos da nova sub-linhagem BQ.1.1 mas mantém medidas

A ministra da Saúde reconheceu hoje o aumento da incidência de covid-19 e confirmou os primeiros três casos da nova sub-linhagem BQ.1.1 da variante Ómicron, mas garantiu que não haverá alteração nas medidas.

“Os casos têm estado a aumentar, não de forma exponencial, como verificámos nas outras vezes em que houve o aumento de casos no país. O número de internados também é muito baixo e, sobretudo, são aquelas pessoas que não estão devidamente vacinadas ou que estão, ou então que apresentam fatores de risco para consequências graves”, afirmou Filomena Gonçalves, após a reunião do Gabinete de Crise da covid-19, realizada hoje na Praia e que foi presidida pelo primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva.

Desde setembro que não há restrições em Cabo Verde devido à pandemia de covid-19.

“Se analisarmos os casos, nós vemos que nas últimas duas semanas nós temos a estabilização em termos de média de casos. Como eu disse, estamos a acompanhar, mas ainda estamos num ponto que se todos abraçarem as medidas, se todos se vacinarem, se calhar estaremos a estabilizar e a baixar, inclusive, a tendência”, disse.

“Mas havendo necessidade de se alterar as medidas, o Governo irá tomar esta medida, mas por enquanto ainda não. E para nós não chegarmos ao uso das máscaras há que haver a adesão e consciencialização de todos”, acrescentou.

Segundo a ministra, Cabo Verde conta atualmente com apenas duas pessoas internadas por covid-19 em todo o país.

Cabo Verde contabiliza hoje, segundo dados do Ministério da Saúde, um acumulado de 62.828 casos de covid-19 desde em março de 2020, que provocaram 412 óbitos, os dois últimos nos dias 18 e 21 de novembro, depois de praticamente quatro meses sem mortes por complicações associadas à doença (o anterior tinha sido registado em 26 de julho).

Atualmente estão ativos 129 casos de covid-19 em todo o país, quando em meados de setembro rondavam uma dezena, segundo o histórico do Ministério da Saúde.

O uso de máscaras em estabelecimentos e transportes públicos e a apresentação de certificados de covid-19 deixaram de ser obrigatórios a partir de 15 de setembro em Cabo Verde, dia em que terminou a situação de alerta.

“Entretanto, volvidos cerca de três meses, com a análise das autoridades sanitárias da situação epidemiológica da pandemia no país, tem-se registado desde o início de novembro um ligeiro aumento dos números de casos de covid-19, sobretudo no concelho da Praia. O Rt está em 1,17, a taxa de positividade nos últimos 14 dias é de 14%, a taxa de internamento por covid-19 é de 2%, a taxa de incidência acumulada é de 45 por 100.000 habitantes”, disse ainda a ministra, no final da reunião de hoje do Gabinete de Crise.

“No que se refere à linhagem, quero aqui informar que foram analisados no laboratório de virologia 23 amostras positivas (…) e aqui na cidade da Praia, nós, dentro da linhagem de BQ.1.1, temos três casos detetados”, explicou a governante, afirmando que o arquipélago só regista casos da variante Ómicron desde dezembro de 2021.

Alertou igualmente para a “previsão” de esta nova sub-linhagem se “espalhar a nível mundial brevemente”, pelo que é necessário “estar alerta”: “Por isso é que também no sentido preventivo nós estamos a apelar à adesão à vacinação, porque a tendência da gravidade desta linhagem é sobretudo para as pessoas que não estejam vacinadas ou que não estejam com o esquema de vacinação completa”.

“Das medidas que saíram do Gabinete de Crise é apelar à consciencialização, é alertar aos cabo-verdianos que ainda estamos com a pandemia, que ainda existem casos. Aliás, não é a situação isolada de Cabo Verde, mas sim de todo o mundo e todos os países estão a acompanhar”, disse a ministra.

Face à evolução da pandemia e às elevadas taxas de vacinação no arquipélago, em março deixou de ser obrigatório a utilização de máscara na via pública em Cabo Verde e no final de abril também em espaços fechados, com exceção de hospitais, farmácias ou transportes públicos.

O Governo entendeu que não mais se mantinham as razões de fundo que haviam levado a que se decretasse a situação de alerta em todo o território nacional, o nível menos grave de três previstos na lei que estabelece as bases da Proteção Civil.

 

Lusa

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