Covid-19: Cabo-verdianos estão “bem informados” sobre a doença mas “falham nas atitudes”

Resultados do II estudo sobre comportamentos, atitudes e práticas apresentados hoje, na Cidade da Praia, mostram que os cabo-verdianos estão “bem informados” sobre a infecção pelo Sars Cov-2, mas “falham nas atitudes” ou na implementação das medidas preventivas.

De acordo com dados desse estudo, realizado pelo Instituto Nacional de Segurança Pública (INSP), em Dezembro de 2020, mais de 90 por cento (%) dos inquiridos declararam que sabem que qualquer pessoa pode ser infectada pelo vírus, 92% conhecem os principais sintomas da infecção e mais de 90% sabem que medidas eficazes controlam a doença.

“Mais de 90% assinalaram o uso obrigatório de máscaras, o distanciamento físico e a lavagem regular das mãos como principais medidas preventivas. Descobrimos que 60% da população sabe o que é infecção”, apontou a presidente do INSP, Maria da Luz Lima, adiantando ainda que cerca de 85% da população reconheceu que o combate à pandemia é um combate individual.

No entanto, quando se fala de atitudes, os dados mostram que apesar das pessoas estarem com conhecimento acabam por não implementar as medidas de prevenção como recomendadas.

“Mais de 90% da população afirma que quando sai de casa leva uma máscara, mas quando perguntamos se usam sempre máscaras, há cerca de 16% que utilizam às vezes, quando o uso de máscaras é obrigatório e permanente”, realçou.

“Outra medida muito importante é que mais de 90% dos inquiridos reconhecem que o distanciamento é fundamental para controlar e reduzir o número de casos, quando perguntamos se têm feito sempre distanciamento apenas 38% dizem que fazemos sempre distanciamento”, acrescentou.

Outro dado considerado preocupante é que 30% dos inquiridos declararam que participaram de actividades aglomerações nos últimos sete dias antes do inquérito.

“Portanto, as pessoas têm conhecimento, mas nas atitudes e que temos de mudar as estratégias”, disse, realçando que o estudo recomendou a mudança de estratégias de comunicação de risco para garantir que além das pessoas terem conhecimento possam colocá-los em prática.

Outro aspecto que, segundo Maria da Luz Lima, vai merecer atenção, é o facto de 18% ter apontado a pandemia da covid-19 como uma arma biológica ou um castigo divino.

A apresentação contou com a presença do ministro da saúde, Arlindo do Rosário, que classificou  o estudo de  “uma importante ferramenta” que irá ajudar na redefinição de estratégias para uma melhor comunicação de risco.

“Há um claro conhecimento das medidas para fazer face à covid-19. Mas como em tudo não basta ter conhecimentos, e, nesta parte da prática, temos de ter em conta que é preciso conhecer a fundo e em pormenor, localidade por localidade, concelho a concelho   e ilha a ilha que constrangimentos poderão estar na base de eventuais do cumprimento a 100% dessas medidas”, sustentou.

Para já, adiantou que há questões psicológicas, sociológicas e até económicas.

Neste sentido, frisou que desde o início o Governo acautelou-se com medidas de forma a fazer uma abordagem integrada da situação, tendo em conta as vulnerabilidades e tentando ultrapassá-las.

O estudo  foi realizado pelo INSP em parceria com o INE, a OMS e a Unicef, e a recolha de dados decorreu em Dezembro de 2020 e abrangeu zonas urbanas e rurais de 14 municípios com um total de 2.754 inquiridos dos 12 aos 95 anos.

Dados mostraram também que a população urbana está melhor informada do que a população rural.

Na altura da recolha de dados, em Dezembro de 2020, mais de 70% tinha-se declarado favorável à declaração do estado de emergência.

Segundo o Ministério da Saúde e da Segurança Social,  Cabo Verde conta com um acumulado de 25.526 casos positivos, dos quais 22.105 foram declarados casos recuperados e 230 morreram.



Inforpress/Fim

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