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De acordo com dados do relatório síntese da execução orçamental até março, o último mês antes das eleições legislativas de 18 de abril, este desempenho continuou a ser condicionado pelas consequências económicas da pandemia de covid-19, com uma forte quebra nas receitas fiscais e o aumento das necessidades de endividamento para políticas económicas e sociais.
O défice de 2,1% até março compara com o défice de 0,2% no mesmo período de 2020, então equivalente a 378,6 milhões de escudos (3,4 milhões de euros), ainda antes dos efeitos da pandemia, segundo os dados do relatório, a que a Lusa teve hoje acesso.
De fevereiro para março, o défice das contas públicas de Cabo Verde cresceu de 1,3% para 2,1% do PIB, traduzindo-se num aumento nominal de quase 1.338 milhões de escudos (12 milhões de euros) no espaço de um mês.
Segundo previsão anterior do Governo, o défice das finanças públicas de Cabo Verde deverá ascender a 8,8% do PIB em 2021, ainda fortemente influenciado pela crise sanitária e económica provocada pela pandemia.
Cabo Verde terminou 2020 com um défice das contas públicas equivalente a 9,1% do PIB, aumentando face aos 1,8% de 2019 e invertendo a tendência decrescente dos últimos seis anos, segundo dados anteriores do banco central.
O agravamento do défice das contas públicas é explicado pela pandemia de covid-19, nomeadamente as consequências económicas, que levaram à paragem praticamente total do turismo, que garante 25% do PIB do país.
Contudo, este resultado ficou abaixo da pior previsão do Governo para o desempenho de 2020, que apontava para um défice histórico nas finanças públicas cabo-verdianas de 11,4% do PIB – abaixo do pico de 10,3% em 2012 -, mas refletindo uma forte diminuição das receitas públicas.
O Banco de Cabo Verde não quantifica a estimativa do défice das contas públicas, mas o PIB cabo-verdiano estimado para 2020, após uma recessão histórica de 14,8%, caiu para 164.911 milhões de escudos (1.492 milhões de euros). Com um défice estimado em 9,1% do PIB, esse valor terá assim ultrapassado os 15 mil milhões de escudos (135,8 milhões de euros) em 2020.
Nos últimos dez anos, o saldo das contas públicas (anual) de Cabo Verde foi sempre deficitário, com picos em 2012 (-10,3% do PIB) e 2013 (-9,3% do PIB), descendo até ao mínimo de -1,8% do PIB em 2019, antes da crise provocada pela pandemia.
Lusa






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