Covid-19: Onze por cento dos infectados esconderam a doença por medo de estigma – estudo

Os resultados do segundo estudo sobre comportamentos, atitudes e práticas (CAP) sobre a covid-19 em Cabo Verde, indicaram que 11% dos inquiridos que já tinham contraído a doença, declararam que esconderam a infecção por medo de estigma.

 

O estudo, promovido pelo Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP), decorreu em Dezembro de 2020, portanto nove meses depois do aparecimento do primeiro caso no arquipélago, e abrangeu zonas urbanas e rurais de 14 municípios com um total de 2.754 inquiridos dos 12 aos 95 anos.


A presidente da INSP, Maria da Luz Lima, adiantou que perante esses dados a instituição vai reforçar o seu trabalho de comunicação por forma a evitar que as pessoas estejam a ter esse tipo de comportamento de culpabilizar e discriminar aqueles que tiveram a infelicidade de contrair a doença.


“Portanto temos de trabalhar esse estigma contra a covid-19”, disse.


A responsável apontou ainda para o facto de cerca de 40 por cento (%) dos inquiridos terem declarado que tinham medo da pandemia, e cerca de 18% ter apontado o vírus como arma biológica ou castigo divino, o que na sua perspectiva denota alguma negação da situação epidemiológica.


“Portanto, este é também um dos motivos para trabalharmos ainda mais para reforçar o conhecimento do que é a infecção, porque as pessoas sabem como prevenir, quais os sintomas, mas quando se fala da origem ou o que é, respondem que é uma arma ou um castigo divino”, explicou.


Entretanto, indicou que mais de 90 por cento (%) dos inquiridos declararam que sabem que qualquer pessoa pode ser infectada com o vírus, 92% conhecem os principais sintomas da infecção e mais de 90% sabem que medidas eficazes controlam a doença.


Contudo, quando se fala de atitudes, os dados mostram que apesar das pessoas estarem munidas de conhecimentos acabam por não implementar as medidas de prevenção como recomendadas.


“Mais de 90% da população afirma que quando sai de casa leva uma máscara, mas quando perguntamos se usam sempre máscaras, há cerca de 16% que utilizam às vezes, quando o uso de máscaras é obrigatório e permanente”, realçou.


“Outra medida muito importante é que mais de 90% dos inquiridos reconhecem que o distanciamento é fundamental para controlar e reduzir o número de casos, quando perguntamos se têm feito sempre distanciamento apenas 38% dizem que fazemos sempre distanciamento”, acrescentou.


Outro dado considerado preocupante é que 30% dos inquiridos declararam que participaram de actividades aglomerações nos últimos sete dias antes do inquérito realizado em Dezembro de 2020.


Segundo o Ministério da Saúde e da Segurança Social, Cabo Verde conta com um acumulado de 25.526 casos positivos, dos quais 22.105 foram declarados casos recuperados e 230 óbitos.


Inforpress/fim

 

 

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