David Pina classifica como “histórica” qualificação por mérito próprio para Jogos Olímpicos de Paris

O pugilista internacional cabo-verdiano qualificou-se por mérito próprio este domingo, dia 2, para os Jogos Olímpicos de Paris 2024, ao conseguir vencer na final dos 51 Kg um adversário do Irão.

Ainda na Tailândia, onde teve quatro vitórias consecutivas, o pugilista cabo-verdiano David Pina mostrou-se realizado perante a qualificação por mérito próprio para os Jogos Olímpicos de Paris 2024. O jovem bolseiro olímpico acredita ser possível fazer uma boa prestação no torneio olímpico e quem sabe até conseguir uma medalha.

Em declarações ao Balai, o pugilista cabo-verdiano que é natural de Santa Cruz explicou que os treinos na Tailândia 10 dias antes do torneio foram essenciais para se habituar ao clima do país até porque estes “foram os combates mais difíceis da sua vida”, afirma. 

O cabo-verdiano acrescenta que cada embate foi mais desafiador do que o anterior. “No penúltimo dia, o combate contra a Ucrânia foi mesmo difícil. Quando ganhámos ficamos todos a chorar. E a final foi pior ainda (contra o Irão). Se hoje conseguimos esta vitória foi graças a muito trabalho”.

Fizemos história pela segunda vez“, afirma o atleta referindo-se à qualificação por wild card para os Jogos Olímpicos de Tóquio em 2021. A atual qualificação por mérito tem um sabor diferente, confessa o jovem e brinca que à semelhança do que é habitual entre os  atletas que vão aos Jogos Olímpicos fazerem uma tatuagem desta vez também tenciona fazer. 

Chegar até este momento não foi fácil, afirma David e por isso “a vitória tem um sabor especial”.

David Pina regressa a Portugal, onde vive e treina, esta terça-feira, dia 4, e depois de uns dias de descanso vai retomar nos treinos e apostar no planeamento, que segundo o pugilista, foi crucial na Tailândia. 

“Acredito que agora vamos ter apoios para fazer uma melhor preparação para os Jogos Olímpicos”, diz o atleta e acrescenta que está confiante num “bom resultado” em Paris.

Não imaginam a quantidade de elogios que recebemos na Tailândia (…) fizemos um brilharete e todos dizem que temos a probabilidade de conseguir uma medalha em Paris“, relatou David que há quatro anos já tinha feito a previsão de que iria conseguir a qualificação.

Afirma que foi logo felicitado pela conquista pelo Comité Olímpico Cabo-verdiano, COC, mas que até ao momento em que tinha sido gravada a entrevista (segunda-feira de manhã) não tinha sido contactado oficialmente pelas autoridades cabo-verdianas e afirmou que pediu mas não teve apoios para participar no torneio na Tailândia. “Espero que seja diferente no caso de Paris”.

O atleta ainda lamentou o facto de nenhum dos outros dois pugilistas cabo-verdianos, Bruno Fernandes e Nancy Moreira, não terem conseguido o apuramento.

“A Nancy é minha colega de há muito tempo. Já fizemos duas qualificações juntos. Não conseguimos em Tóquio e fizemos esta que, infelizmente, ela não conseguiu. A Nancy é uma atleta forte, ela merecia passar, mas como sabemos o desporto tem momentos bons e maus. Espero que ela continue a lutar. Não desistir é o segredo para conseguir porque lutamos muito para chegar cá.”

De recordar que ​o pugilista olímpico internacional cabo-verdiano David Pina conquistou em maio, na França, a medalha de ouro no torneio internacional Les Ceintures, pelo segundo ano consecutivo, depois de também ter vencido em 2023.

David Pina junta-se ao esgrimista Victor Alvares e ao atleta Samuel Freire, ambos qualificados através do princípio de universalidade dos Jogos Olímpicos.

Balai Notícias

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