Deputados do PAICV em São Vicente afirmam que a Nação “vai mal e a regredir” em vários setores

Os deputados do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição), eleitos pelo círculo de São Vicente, disseram hoje, em conferência de imprensa, no Mindelo, que a Nação “vai mal e a regredir” em vários sectores.

O deputado e porta-voz, João do Carmo, falava à imprensa após audições, encontros com moradores dos bairros e visitas a instituições, no círculo eleitoral de São Vicente, para preparar o debate sobre o estado da Nação no parlamento.

Segundo o deputado, a regressão nos sectores dos transportes aéreos e marítimos “é visível”.
Mas, frisou, desde a independência “nunca Cabo Verde esteve nesta situação”, porque ao longo dos anos da governação da Primeira República [PAICV no poder], o Governo conseguiu resolver o problema da ligação interilhas e das ilhas com o mundo.

“Depois que o Movimento para Democracia entrou no Governo teve uma má política para o sector dos transportes marítimos e aéreos. A situação recente da não certificação da TACV é um exemplo claro do amadorismo, da mediocridade da gestão da coisa pública em Cabo Verde”, afirmou João Do Carmo.

Para o deputado, o problema de transportes em Cabo Verde é um dossiê que o seu partido tem seguido e hoje “está mais de que provado” que em todas as intervenções “sempre tivemos razão”.

“Não houve concurso, houve uma adjudicação directa a uma empresa que o Governo escolheu. O Governo enganou e colocou de lado os armadores nacionais, não os apoiou num projeto que tinha viabilidade económica. Em vez disso insistiu na escolha de uma empresa portuguesa e hoje temos a situação que nada mais é do que desrespeitar os cabo-verdianos” criticou o deputado, para quem “sempre o PAICV teve razão” porque a empresa “não estava em condições de assumir o monopólio deste sector”.

Prova disso é que, lembrou, a empresa era obrigada a trazer cinco barcos novos e só trouxe um e assegurou com os barcos já existentes.

Ainda, segundo João do Carmo, “só o Governo tem estado a cumprir nessa parceria porque passa para a empresa 300 mil contos anuais”, enquanto a empresa “não está a cumprir” nomeadamente com mais barcos novos, regularidade e respeito para com os clientes, quando há qualquer problema no transporte interilhas.
Instado a reagir sobre as declarações do ministro Fernando Elísio Freire que disse que o

Governo vai levar ao parlamento “um Cabo Verde que está a resistir às crises”, João do Carmo afiançou que o Governo usa “as crises, da pandemia e da guerra na Ucrânia como como argumentos” para justificar a sua “má gestão da coisa pública”.

“Mas verdade é que em Fevereiro de 2020, antes da pandemia, a situação em vários dossiês e sectores era exatamente esta que temos agora”, sustentou o deputado do PAICV, para quem a situação de São Vicente, círculo pelo qual foi eleito, “é um pouco mais preocupante”, se misturar “a governação nacional com a gestão municipal”.

Ou seja, clarificou, o povo de São Vicente está “bastante preocupado” com o imbróglio político que se passa a nível municipal.

“Há claramente uma situação que dificulta o desenvolvimento da ilha de São Vicente. Estando a câmara como está São Vicente e os são-vicentinos estão a perder com o imbróglio político e isso agrava ainda mais o estado das coisas na ilha”, alegou João do Carmo, afirmando que o Governo, através da tutela dos municípios, “tem todas as condições e as matérias para tomar uma posição política correta em benefício dos sanvicentinos e da ilha”.

Conforme João do Carmo, os deputados do PAICV em São Vicente vão levar a opinião popular para o debate porque não se pode fazer uma melhor leitura do estado da Nação do que a  feita pela sociedade civil, leitura que coincide com a perceção do seu partido, sintetizou.

Inforpress

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