Capitã Lúcia Moniz, o rosto do futebol feminino em Cabo Verde

Outrora jogadora de eleição de andebol, Lúcia Moniz enveredou pelo futebol feminino, modalidade pela qual ganhou notoriedade, tornando-se na primeira capitã da seleção cabo-verdiana, para desempenhar o cargo do diretor desportivo depois de pendurar as chuteiras em 2023.

Referenciada como uma das melhores futebolistas de Cabo Verde de todos os tempos, Lúcia Moniz, proveniente de uma família talentosa no campo desportivo, encontrou a veia futebolística no avô, considerado um adepto ferrenho do Benfica (Portugal) dos tios Cudetcha, Tutu, Nado futebolistas referenciados e Lita (andebolista).

Gerente da sua própria empresa, “Easy Work”, Lúcia acredita ter descoberto a sua paixão pelo futebol ainda no ciclo preparatório, aos 9/10 anos, durante uma aula de Educação Física, tendo representado a seleção de Santiago aos 17 anos no Inter-ilhas realizada na ilha do Sal, muito antes da primeira prova federada realizada em 1998, para além da sua participação em vários torneios.

Lúcia recorda que as provas federadas em Cabo Verde iniciaram em 2011, com a realização do primeiro nacional, mas que o futebol feminino começou a ser praticado muito antes, a nível regional e nacional já que muito antes da entrada de Moniz no futebol, a modalidade já tinha atletas femininas através da iniciativa de nomes como Paulo Évora, operador de câmara da RTC na ilha do Sal, e Piroxo da Várzea.

Nessa altura, recorda, o futebol era muito praticado nas ribeiras, tendo iniciado o seu percurso no Paiol, orientado por Tchoris e Tyson, equipa pela qual começou a dar nas vistas, para, posteriormente, vestir as cores de Tapadinha (Achadinha), equipa na qual conquistou todas as provas em disputa.

Posteriormente, enquanto estudava na Lusófona, Portugal, praticou o futsal federado representando aos emblemas de Carnide, Leões do Porto Salvo e Real de Massamá entre 2001/2002 a 2010.

A nível do andebol, Lúcia Moniz mostrou a sua classe no clube que, na altura, dominava a modalidade no país como o Estrela d’Andebol, mas foi no futebol que Moniz que teve “uma carreira brilhante”, já que perdeu a contagem de competições e títulos ganhos a nível de torneio, taças, campeonato nacional e Inter-ilhas, tanto em futebol de onze como de sete.

Da sua conta pessoal, soma dois campeonatos nacionais de futebol pela EPIF e seis ao serviço do Seven Stars.

Lúcia que se tornou na primeira capitã de Cabo Verde em futebol, aos 37 anos, numa partida disputada no Estádio Nacional, onde disse que “Cabo Verde perdeu na sua estreia, mas ganhou uma equipa e a sua primeira selecção”, congratula-se pelo caminho desbravado para que Cabo Verde atinja um outro patamar, com participações na qualificação no CAN.

Gaba-se de Cabo Verde contar, atualmente, com um número significativo de atletas “contratadas” nos clubes estrangeiros, mas que começaram a evoluir no arquipélago e iniciaram nos campeonatos regionais. Para Moniz, prova que Cabo Verde tem talentos, são os casos de Eveline, Wânia Moreira, Diana Borges, Leyla, Irlanda, Melany, Sacha, Leonilde de entre muitas outras que partilham estudos e futebol.

Apesar “de uma aposta por parte da FCF e de algumas associações regionais”, Lúcia Moniz mostra-se apreensiva pela falta de organização das associações regionais que não realizam campeonatos, alegando dificuldades, pelo que não se conforma pelo facto de em 2013 o nacional contar com representantes de todas as ilhas, quando nos últimos tempos o número de equipas vem-se diminuindo, consideravelmente.

Persistência junto dos clubes e associações é para Moniz a palavra-chave para uma melhor organização e desenvolvimento da modalidade em Cabo Verde, citando como exemplo o caso da Brava que numa só observação da equipa técnica para a seleção Nacional surgem cerca de 80 candidatas, mas que atualmente não conta com uma única equipa de futebol.

Despediu-se como jogadora da seleção de futebol em 2019, depois da vitória 2-1 sobre a Guiné-Bissau, em Bissau, para assumir as funções de diretora desportiva, tendo continuado a jogar a bola até ano transato, ao despedir-se em grande como campeã nacional no Clube Juvenil Seven Stars.

Inforpress

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