Falta de vistos condiciona sonho mundial de prodígio cabo-verdiano Wesley Brito

O jovem cabo-verdiano residente na Boa Vista Wesley Brito, prodígio da nova modalidade náutica denominada “wing foil”, terceiro lugar na etapa do Mundial do Brasil’2021 com as cores nacionais, falta a competições e demonstrações internacionais por falta de visto.

Com menos de três anos da prática desta que é considerada a modalidade de futuro, Wesley Brito, que já sonha com o topo mundial, ganhou a paixão pela disciplina náutica a partir de um praticante de Havaí, na Boa Vista, e logo na etapa do Mundial de 2021, disputada em Novembro, em Fortaleza, saltou para o pódio.

Apesar desta proeza, esta promessa “mundial” sente-se impotente para fazer valer os seus sonhos, já que por falta de visto não pôde dar continuidade às séries nos circuitos mundiais, tendo já perdido a etapa de Espanha no ano passado e corre sérios riscos de falhar a deslocação à Chile, onde tem previsto um “shooting” a 10 de Março, já com patrocinador garantido, o Desporto Náutico Windsurf Kite.

Ademais, lamenta dificuldades burocráticas encontradas para acompanhar o “tour mundial”, já que o Mundial obriga a competição em países diferentes, como o circuito de França a 23 de Março, seguida da Espanha, Ilhas Maldivas e Ilhas Maurícias, Alemanha, de entre outros países.

“É importante a minha participação nas etapas mundiais, porque se faltar uma ou duas fica praticamente impossível alcançar o título mundial”, explicou Brito.

Adiantou que está focado na conquista do título de melhor do mundo, sublinhando “ser triste Cabo Verde não lhe proporcionar oportunidade para tal”.

Revelou que ganhou a sua primeira prancha das mãos do campeão mundial de 2016 em kitesurf, Matchú Lopes, que já conta actualmente com um contrato de trabalho assegurado por uma marca internacional, especializada nos desportos náuticos, dispõe de equipamentos e técnica necessários, mas que não tem encontrado formas para abrir fronteiras.

A este propósito, declarou sentir-se frustrado, e que só conseguiu competir no Brasil com carta e convite como turista, lamentando que aquando da etapa de Fortaleza teve de passar três meses na Cidade da Praia, em busca de vistos, com reflexos na baixa de rendimento técnico, sem que tivesse alcançado visto de entrada na Europa.

“Em vez de ficar focado no título, nos meus treinos, tenho de focar-me na luta pelos vistos. Tenho mais preocupação de conseguir um visto do que com o Campeonato Mundial”, lamentou, sublinhando que antes do Mundial sente-se obrigado a suspender os treinos ao longo de um mês para conseguir um visto.

“Sou o único atleta deste circuito que vai para a prova sem treinos. Neste momento, todos os colegas vão começar os treinos para a competição, mas eu tenho de suspender os ensaios para tentar vistos”, realçou, denunciando que as “papeladas” das autoridades desportivas e municipais foram completamente ignoradas pelas embaixadas”.

O “wing foil” é o novo desporto aquático, composto de prancha de foil, de quilha comprida e fina, que permite ao praticante ficar completamente fora da água e uma “asa inflável”, direccionada com as mãos, semelhante ao formato de uma asa delta.

Inforpress

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