Futebol/Fogo: Alguns clubes exigem assembleia-geral electiva por o mandato da actual direcção ter expirado

Os dirigentes de alguns clubes da ilha do Fogo exigiram hoje a eleição de novos órgãos sociais da Associação Regional de Futebol do Fogo, alegando que o mandato da actual direcção já expirou.

Em nome de alguns clubes e na sequência do encontro realizado hoje pela Associação para recolha de subsídios para a retoma da próxima época desportiva, Bruno Teixeira, disse que a actual direcção, eleita em 2018, tinha um mandato de dois anos e que já terminou, estando há três anos em funções.

Segundo o mesmo, e conforme os estatutos da Associação Regional de Futebol, devia-se fazer as eleições e não continuar a esconder-se atrás da pandemia da covid-19 para a sua não realização, sublinhando que os integrantes da actual equipa poderá formalizar a candidatura e apresentar na assembleia-geral.

Com relação à homologação dos jogos e de atribuição do título de campeão regional do primeiro escalão ao Vulcânico, a despromoção de Nova Era e Cutelinho e de promoção de Juventude e Grito Povo, os clubes contestatários esperam que na próxima reunião a associação apresente a acta para ser analisada e ver se a decisão está de acordo com aquilo que os clubes propuseram na altura.

No entanto os clubes contestam a subida de dois clubes ao primeiro escalão, mas não a atribuição do título de campeão regional neste escalão.

Bruno Teixeira, em representação de alguns clubes, considera que a actual direcção “não tem legitimidade para continuar” e defende a necessidade de se eleger uma nova direcção que irá analisar se existe ou não condições para a retoma e o arranque dos campeonatos regionais, lembrando que há um conjunto de problemas, desde infra-estruturas, passando pela situação financeira e de materiais desportivos.

O presidente da direcção da ARFF, Pedro Pires, disse que o objectivo do encontro era disponibilizar informações aos associados ligadas à questão de infra-estruturas, dos contactos com a Federação Cabo-verdiana de Futebol (FCF), o Ministério do Desporto e recolha de subsídios com vista à retoma da época desportiva na ilha do Fogo, sublinhando que os clubes estão satisfeitos com a direcção que recebeu um ‘feedback’ positivo sobre o arranque do campeonato.

Os clubes, acrescenta Pedro Pires, têm um conjunto de dificuldades como transportes, financeiras, infra-estruturas e a associação terá de ver junto das instituições parceiras como as câmaras da ilha, a FCF, a IDJ (Instituto do Desporto e da Juventude) e o próprio Ministério a forma e os meios necessários para que possa haver campeonato na região, sublinhando que é uma questão que vai colocar ao ministro do Desporto que visita na próxima semana a ilha e ver em que medida o Governo pode apoiar a retoma da época.

Apesar do ambiente pouco ameno e da contestação por parte de vários clubes, Pedro Pires disse que o encontro foi “extraordinário”, adiantando que houve descontentamento de alguns clubes, nomeadamente Atlântico, Cutelinho, Académica e Nova Era, mas que não representam o sentimento de todos os associados, pois trata-se de uma “posição individualizada e que não abona a favor do futebol do Fogo”.

“A direcção está legal até as novas eleições e tomada de posse, não há nenhuma ilegalidade”, disse Pedro Pires, que se escusou a revelar a data da última eleição e a duração do seu mandato, que, no dizer dos clubes contestatários, ocorreu em 2018 e tinha a duração de dois anos.

Pedro Pires, ao ser confrontado com esta situação, desviou-se da questão, afirmando apenas que “o mandato da direcção é legal” apesar de reconhecer que não se realizou eleições no tempo que deviam acontecer.

“Neste momento vamos às eleições e ganhamos e não tenho receio de convocar uma assembleia-geral electiva se for este o caso”, disse Pedro Pires, que não explicitou se vai ou não convocar uma assembleia para eleger novos corpos gerentes da associação.

Quanto à existência ou não da acta da última assembleia-geral que os clubes exigem, o presidente da direcção da ARFF disse que “a acta existe”, mas que o problema não é a acta e que os clubes começaram a questionar sobre a mesma após a homologação dos resultados pela Associação, que atribuiu o título de campeão ao Vulcânico, que despromoveu Cutelinho e Nova Era e promoveu Juventude e Grito Povo.

“A maioria dos dirigentes está consciente”, disse Pedro Pires que classificou de “desonestidade intelectual” a contestação de alguns clubes que, segundo o mesmo, tiveram “amnésia intelectual profunda e intencional e com outros contornos”.

Sobre o período de inscrição das equipas na plataforma e cujo prazo termina às 23:59 do dia 30 de Setembro, este disse que algumas equipas já se inscreveram na plataforma, mas sem precisar o número, sublinhando que a inscrição é da responsabilidade dos clubes e não da direcção da ARFF que deve agilizar e ajudar no processo de inscrição.

 

Inforpress

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