Ocean Race: Organização diz-se pronta para nova edição caso país for escolhido como paragem

A organização cabo-verdiana da Ocean Race fez hoje, no Mindelo, um balanço positivo do evento em todas as vertentes e acredita estar o País pronto para receber uma nova edição, caso seja escolhido como paragem.

O balanço foi feito em conferência de imprensa pelo coordenador logístico do certame, Ivan Santos, que começou por agradecer a população de São Vicente, que soube “prestigiar, acolher a acarinhar” o evento “superando todas as expectativas de adesão, civismo e sensibilização com o conceito estabelecido de plástico zero”.

Segundo a mesma fonte, foi com “muita satisfação” que registaram o aumento diário de visitantes, alcançando no total 40 mil pessoas e que superou e estimativa de sete mil visitas por dia.

Também se considerou um “sucesso” os programas de aprendizado e voluntariado, com cerca de 100 voluntários, na maioria estudantes universitários, mas também estrangeiros.

Os voluntários, conforme Ivan Santos, estiveram envolvidos nas diversas áreas, sendo uma delas a de sustentabilidade, que permitiu “aos parceiros, pessoas, visitantes, restaurantes e todos os envolvidos se comprometerem com o conceito de plástico zero e gestão de resíduos”, explicou a mesma fonte, aproveitando também para agradecer o trabalho da Câmara Municipal de São Vicente nessa área.

Como consequência, asseverou o coordenador, todos os resíduos sólidos produzidos no evento vão ser tratados e reutilizados, assim como os resíduos orgânicos, que vão ser doados a pequenos criadores de animais.

Por outro lado, acrescentou, os contentores separadores de lixo concebidos para o evento, vão ser doados a escolas e associações comunitárias e assim como parte do mobiliário feito em paletes.

“Não se trata de uma ação de caridade, mas, sim, um ato sustentável com o objetivo de incutir nas pessoas o conceito circular de uso de materiais, o conceito de não desperdício”, afiançou Ivan Santos.

Na vertente educativa, o programa aprendizado, cujo propósito era permitir a mudança de mentalidade das crianças e jovens, contou com 20 escolas do ensino básico, cinco do secundário, duas academias de estudo e três jardins de infância, perfazendo a participação de 2.254 estudantes.

Quanto à largada dos barcos do Porto Grande do Mindelo, nesta quarta-feira, 25, o coordenador considerou ter feito a cidade estar na “boca do mundo” com “imagens magnificas” transmitidas a vivo.

Entretanto, Ivan Santos explicou que três dos barcos da categoria VO65, que só voltam a integrar a corrida em Junho, regressaram depois, tal como antes programado, ao porto por problemas técnicos e aguardam peças, que devem chegar neste final de semana, para retomarem a sua jornada.

“A `The Ocean Race realmente provou ser mais do que uma corrida, mais do que uma regata. Carregam a bandeira de proteção dos oceanos e do ambiente. É um pretexto para colocar na agenda pública questões ecológicas e buscarmos soluções sustentáveis a todos níveis”, advogou o responsável, realçando a realização da cimeira dos oceanos, que contou com a participação ao mais alto nível do secretário-geral das Nações Unidas.

Por outro lado, segundo mesma fonte, “quase que se percebeu no ar o ambiente agradável, tranquilo, de paz, interação” entre a organização, público e os velejadores.

Por tudo isso e muito mais, Ivan Santos admitiu terem conseguido responder a “todas as demandas”, técnicas, logísticas, e de adesão do público e com “excelente ´feed back´” da organização internacional da Ocean Race, e daí que, garantiu, Cabo Verde está pronto para receber uma nova edição, caso o País for escolhido como paragem.

“É um sentimento de dever cumprido, de tudo que nós idealizamos aconteceu e ver nas pessoas a alegria, isso não tem preço”, advogou,

Questionado sobre se houve algum aspeto que poderá ter corrido menos, Ivan Santos apontou a falta de camas na ilha, algo que, asseverou, poderá ser superado com a concretização dos novos hotéis em construção e permitir São Vicente receber eventos até de maior envergadura.

Os 11 veleiros da Ocean Race estiveram de dia 20 a 25, no Mindelo, que foi a primeira paragem – depois do início da corrida em Alicante (Espanha) – e de onde seguiram viagem, sendo que os cinco barcos da categoria IMOCA, considerados “super veleiros” partiram rumo à Cidade do Cabo (África do Sul), e os seis da categoria VO65 regressam aos países de origem para integrar a regata somente no mês de Junho.

A próxima paragem será Itajaí (Brasil), através dos mares do Pacífico Sul, e com passagem pelo Cabo da Boa Esperança e Cabo Horn, conhecido como o ‘fim do mundo’.

A regata, que pretende dar a volta ao mundo, termina no dia 01 de Julho, em Génova (Itália).

Inforpress

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on pinterest