Dia de África: Dinâmicas sociais têm demonstrado que há tendências de aceitação da comunidade africana – responsável

O presidente da Plataforma das Comunidades Imigradas Africanas em Cabo Verde considerou hoje que as dinâmicas sociais têm demonstrado que há tendências de aceitação da comunidade africana na sociedade cabo-verdiana.

Em conversa com a Inforpress, no âmbito das celebrações do Dia da África, que hoje se comemora, José Viana considerou que essas dinâmicas sociais têm demonstrado que os cabo-verdianos têm aprendido a aceitar a população que vem da costa ocidental africana.


“Há ainda dificuldades da população imigrada em poder se afirmar, não que haja alguma pressão ou tendência racista ou xenofobismos aqui em Cabo Verde, mas está enraizado na cultura das pessoas uma pequena diferenciação em relação aos imigrantes oriundos da sub-região africana”, denunciou.


No entanto, lembrou que os imigrantes africanos já viveram momentos mais “atrozes”, apontando que se está numa fase de evolução em relação à coabitação de sentimentos entre as pessoas.


“Antigamente, os imigrantes africanos eram vistos como Mandjacos, essa tendência foi alterando e passaram a ser visto como amigo e ultimamente passaram a serem maridos e esposas”, explicou.


Não obstante esses “avanços”, José Viana considerou que há necessidade de mecanismos legais, através de política de imigração, defendendo que com a extinção da Direcção-Geral da Imigração e a criação da Alta Autoridade para a Imigração (AAI) não se notou “resultados palpáveis”.


“Há uma vontade do Governo em promover um serviço integrado entre as instituições que trabalham com a questão da imigração, mas ainda esses serviços não estão implementados”, notou o responsável.


Para o presidente da Plataforma das Comunidades Imigradas Africanas em Cabo Verde há a intenção das autoridades governamentais cabo-verdianas na centralidade da política de imigração, considerando, no entanto, que esse propósito “ainda não é um facto”.


“Os diferentes sectores criados têm a sua independência e é preciso trabalhar para que a integração seja uma realidade, de modo a que os imigrantes possam ser beneficiados por diferentes serviços que solicitam, nomeadamente em termos de atendimento, acolhimento e acompanhamento”, frisou.


José Viana defendeu ainda a criação de um serviço personalizado de atendimento dos imigrantes, tendo em conta as suas particularidades e especificidades, “porque todos os imigrantes não têm os mesmos problemas”.


“Para isso, é preciso que tenhamos pessoas preparadas e formadas, porque as pessoas estão ali para servirem e não para serem servidas”, apontou o representante da comunidade africana radicada em Cabo Verde.


Estima-se que vivem em Cabo Verde entre 15 e 18 mil estrangeiros africanos, número que poderá estar desactualizado devido à mobilidade das pessoas.


O continente africano assinala hoje o Dia de África, marcado, este ano, pela luta contra a covid-19 numa região a braços com vários conflitos e onde a integração económica continua longe do desejado.


Em Maio de 1963, à medida que a luta pela independência do domínio colonial ganhava força, líderes de Estados africanos independentes e representantes de movimentos de libertação reuniram-se em Adis Abeba, na Etiópia, para formar uma frente unida na luta pela independência total do continente.


Da reunião saiu a carta que criaria a primeira instituição continental pós-independência de África, a Organização de Unidade Africana (OUA), antecessora da actual União Africana.


A OUA, que preconizava uma África unida, livre e responsável pelo seu próprio destino, foi estabelecida a 25 de Maio de 1963, que seria também declarado o Dia da África.


Em 2002, a OUA foi substituída pela União Africana, que reafirmou os objectivos de “uma África integrada, próspera e pacífica, impulsionada pelos seus cidadãos e representando uma força dinâmica na cena mundial”.

Inforpress

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