Djunta mon, um centro comunitário que aposta na educação em prol de uma sociedade digna

Criado em plena pandemia da covid-19, este centro comunitário acolhe e apoia gratuitamente meia centena de crianças desfavorecidas em Ribeira Bote, uma comunidade em São Vicente que, segundo o coordenador do projeto, Alveno Soares, possui várias carências na área social.

Sediado na zona de Ribeira Bote, em São Vicente, o centro comunitário Djunta Mon foi criado em meados de 2021, sete anos após a fundação de uma plataforma social nacional com o mesmo nome.

“Criei a plataforma social Djunta Mon em janeiro de 2015, com o objetivo de criar uma ponte entre projetos sociais em Cabo Verde e fora do país. Desde a sua criação, já conseguimos mais de 280 mil euros de ajuda para o arquipélago. Durante a pandemia conseguimos arrecadar 50 mil euros”, conta Alveno Soares, que é ativista social há mais de uma década, em entrevista ao Balai.

Com a quantia arrecadada no início da pandemia, realizaram várias campanhas sociais e fizeram doações de materiais como sabão, máscaras e cestas básicas, bem como financiaram 29 projetos de jovens desempregados. “Os cinquenta mil euros foram distribuídos por áreas diferentes como higiene, alimentação e trabalho”.

Além de trabalhar na área social, o jovem de 36 anos é guia turístico há quase uma década e tem uma empresa nessa área denominada “Dada’s Animation”.

Em 2021, em parceria com as jovens Annina Landos e Corinne Bommeli, cofundadoras da agência turística suíça ‘O Ritmo’, criou o Centro Comunitário Djunta Mon.

Segundo Alveno Soares, o centro é “uma ferramenta para o desenvolvimento cognitivo e intelectual para melhorar uma sociedade futura”.

Criar um centro comunitário em plena pandemia foi “desafiante”, confessa.

“Garanto que foi bastante difícil, tivemos muitos avanços e recuos, mas conseguimos colocá-lo a funcionar. (…) Abrimos no ano letivo de 2021, mas antes fizemos uma escola de verão com trinta crianças de zonas diferentes. (…) Depois solicitamos à Escola de Ribeira Bote que nos indicasse as crianças que tinham mais necessidades”.

Segundo o mentor, o centro não trabalha com inscrições e tem tido boa aceitação por parte da comunidade. O espaço funciona de segunda a sexta-feira, conta com cinco colaboradores diretos, entre os quais três educadores, e, diariamente, acolhe e apoia meia centena de crianças da 2ª à 6ª classe e que são maioritariamente de Ribeira Bote.

“Esta zona tem uma vasta carência na área social. Há problemas ligados as drogas, abandono escolar, prostituição, gravidez precoce (…). Queremos, pelo menos, dar a essas cinquenta crianças a oportunidade de não entrarem nesses caminhos. Se salvarmos essas já estamos a salvar uma boa parte da população”, afirma.


Muitas dessas crianças são oriundas de famílias numerosas, vivem em casas de tambor sem condições de estudo. “Temos famílias que vivem com cerca de 200 escudos por dia, uma quantia que não dá para comprar quase nada”.

Além de apoio aos estudos, no centro Djunta Mon são oferecidas às crianças atividades extracurriculares como cinema, conversas abertas, aulas de artesanato, desporto, desenho, (…), bem como um lanche.

“Todas as nossas atividades são gratuitas, porque tem que ter assistencialismo senão a sociedade não desenvolve”. O projeto também é aberto a outras comunidades e à comunidade educativa.

Alveno Soares acredita que o projeto trouxe vantagens para esta comunidade e arredores. “O centro é uma mais-valia e tenho a certeza que vamos conseguir salvar e melhorar a vida de futuros homens e mulheres cabo-verdianos”.

O Centro Comunitário Djunta Mon é financiado pela Fundação de Turismo Sustentável da Suíça e outros parceiros deste país europeu. A gestão administrativa é feita pela Organização das Mulheres de Cabo Verde (OMCV). “A ideia é conseguir mais financiamento ou investidores externos, porque vamos precisar de ter uma estabilidade financeira pelo menos até 2023”.

 

Volunturismo, um turismo consciente

Além de apostar na educação, o Centro Comunitário Djunta Mon tem apostado no turismo sustentável com o projeto Volunturismo.

“A ideia é receber turistas que querem fazer voluntariado no país. Somos duas empresas de turistas, então, além de fazermos o nosso trabalho nessa área, queremos ter algum dinheiro para sustentar o centro e não depender apenas de financiamento externo”.

“Temos uma residência com capacidade para receber onze volunturistas internacionais ou nacionais. (…) O objetivo é juntar o volunturimo a essa componente social e fazer alguma interação comunitária. (…) Queremos um turista consciente e que traz uma mais-valia para o país”, afirma.

Devido à pandemia da covid-19, o centro só recebeu dois volunturistas, um da Suíça e outro da Inglaterra que teve que regressar antes do tempo por motivos familiares.

“O volunturista da Suíça foi desafiado a fazer um ‘crowdfunding’ e com o dinheiro arrecadado criamos o projeto “No construi d’junt”, que visa apoiar projetos e pessoas na área de construção. (…) Fizemos intervenções em quatro projetos”, diz e espera receber mais volunturistas este ano.

O centro também tem apostado em caminhadas ecológicas. “Fizemos uma caminhada para a localidade de Monte Verde e recolhemos cerca de vinte sacos de lixo”, conta e afirma que o trabalho do centro tem sido extremamente positivo. Para Alveno Soares, com a pobreza a aumentar no país, é preciso apostar na educação em prol de uma sociedade digna. “A arma mais poderosa para a resolução de qualquer coisa na vida é a educação”.

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