Dono do único hotel de cinco estrelas cabo-verdiano pede aposta na diversificação

O proprietário do único hotel de cinco estrelas cabo-verdiano, o francês Jacques Monnier, defende que é tempo de o arquipélago apostar também neste segmento de turismo de luxo e não apenas nos ‘resorts’ que concentram a oferta nas ilhas do Sal e da Boa Vista.

O empresário apostou na abertura do Hotel Hilton, gerido por aquela marca internacional, em Santa Maria, ilha do Sal, em dezembro de 2017, com 241 quartos e mais de 300 trabalhadores, e ainda hoje é o único hotel, fora do conceito de ‘resorts’, com o estatuto de cinco estrelas em todo o arquipélago.

“Até agora não temos concorrência, mas já ouvi falar de alguns projetos, aqui perto, de cinco estrelas”, conta, em entrevista à Lusa, admitindo que “há espaço” em Cabo Verde para “este tipo de turismo”, de rendimento elevado, fora do turismo de massas.

“É isso que tento explicar aos governantes. O tempo dos [resorts] ‘tudo incluído’ não acabou, mas é tempo também de seguir noutras direções, tendo já o ‘tudo incluído’. Por isso, vamos encontrar espaço para o outro tipo de turismo, porque o país só tem a ganhar ao atrair estas pessoas”, defende o proprietário do único Hilton em Cabo Verde.

Em 2019, antes da pandemia de covid-19, o arquipélago recebeu um recorde de mais de 819.000 turistas, essencialmente nos resorts ‘tudo incluído’ existentes nas ilhas do Sal e da Boa Vista, cada um com centenas de quartos.

Com a pandemia, a atividade do Hotel Hilton em Santa Maria sofreu os impactos de dez meses de encerramento da ilha mais turística de Cabo Verde aos voos internacionais.

“Estou muito satisfeito porque sobrevivemos, porque foi um total desastre, há dois anos (…) Mesmo quando o Governo abriu as fronteiras, não quer dizer que os turistas vieram logo. Tínhamos 25 aviões por dia, antes da pandemia, e quando as fronteiras reabriram tínhamos cinco. Por semana”, recorda.

Durante o ano de 2020 reconhece que o desafio maior foi “manter todos os trabalhadores”, sem ter clientes e com o hotel encerrado, ou com reduzido movimento de turistas até ao início da retoma da procura, no final do ano passado.

“A pandemia, vamos dizer assim, acabou em novembro, dezembro do ano passado e agora estamos numa curva ascendente”, afirma o empresário, de 55 anos, radicado em Cabo Verde há dez anos.

Garante que mesmo no verão, época baixa em Cabo Verde, a procura pelo mais luxuoso hotel de Cabo Verde “está a funcionar”, com taxas de ocupação que rondam os 60% e perspetiva de chegar a 85% no próximo inverno, a época alta do turismo no arquipélago.

“Nenhum hotel está cheio, mas temos muita gente a voltar. Na Europa estiveram todos presos durante dois anos e querem viajar e Cabo Verde são as ilhas vizinhas”, sublinha.

Para Jacques Monnier, o recente contrato de concessão da gestão dos aeroportos de Cabo Verde entre o Estado e o grupo francês Vinci vem reforçar a perspetiva positiva que tem para um setor que garante 25% do Produto Interno Bruto do país.

“Estou muito contente porque vamos ter grandes profissionais e vão melhorar todas as rotas e toda a gestão dos aeroportos e será uma grande ajuda no futuro”, assume.

 

Lusa

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