BCV mantém previsão de crescimento do PIB em 6,6 % em 2021 e entre 4,7 e 5,6% para 2022 apesar de “elevada incerteza”

O Banco de Cabo Verde (BCV) mantém a previsão do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 6,6%, em 2021, e entre 4,7 e 5.6%, para 2022, apesar do contexto de “elevada” incerteza que se vive neste momento.

Em entrevista à Inforpress, o governador do BCV, Óscar Santos, disse que o banco central previu dois cenários, exactamente para acomodar a eventual materialização de riscos provenientes das economias dos parceiros cabo-verdianos.

“Na altura, quando foi projectado, o cenário adverso foi concebido como medida de precaução no caso de aparecimento de novas variantes do vírus Sars-Cov-2. Pouco tempo depois surgiu a variante Ómicron que colocou novamente as economias parceiras em situação de confinamento parcial”, apontou.

Outro cenário relaciona-se com o ressurgimento da inflação que, segundo o governador,  pode inverter a política monetária acomodatícia e de suporte à economia junto dos principais bancos centrais, provocando um aumento das taxas de juros  e problemas nas cadeias internacionais de abastecimento

“Sendo assim, e neste contexto de elevada incerteza, o BCV mantém a previsão de crescimento do PIB de 6.6 este ano e entre 4,7% e 5.6 % para 2022 e inflação a rondar os 1.9% em 2021”, realçou o governador do BCV.

Óscar Santos adiantou que para 2021 prevê-se a “melhoria do crescimento económico”, não só devido ao efeito base, mas também porque a envolvente externa permitiu a reabertura gradual das economias dos principais parceiros, devido ao avanço do programa de vacinação, tanto interno como externo.

“A vacinação interna, uma das maiores de toda África, permitiu atrair a confiança dos turistas, dos investidores e dos emigrantes. Ainda não temos os dados de todo o ano, mas até o terceiro trimestre temos sinais mistos, por exemplo”, indicou.

Conforme adiantou, a balança corrente se tornou mais deficitária em 15% relativamente ao período homólogo, mas, por outro lado, houve um crescimento das exportações de bens em 15% relativamente ao período homólogo, bem como o aumento das remessas dos emigrantes em 40% até Setembro.

Outra variável importante são as reservas que reduziram em 65 milhões de euros até Outubro, mas cobrindo assim ainda 6.9 meses de importações, quando no final de 2020 era de 7.9 meses.

O governador do BCV explicou que a nível internacional a evolução está muito dependente de como a pandemia evolui em termos de surgimento ou não de variantes de preocupação, o que impediria o retomar da vida normal.

Se por um lado os bancos centrais devem continuar a apoiar a economia com programas de compras de dívida e baixa taxa de juros, por outro lado há o ressurgimento de pressões inflacionistas e ameaça da nova variante, constituindo assim um contexto de muitas incertezas.

“Portanto, apesar das incertezas, arrisco a dizer que o avanço da vacinação e o melhor conhecimento que se tem agora do vírus, o ano de 2022 será melhor o ano de 2020”, realçou lembrando que em 2020 o país registou a maior queda do PIB da história da economia nacional (-14%) com a quedas das receitas brutas do turismo na ordem de 24,2% para o 8,9% do PIB e queda de receitas fiscais em cerca de 20%.

Inforpress

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