Brava: Associação Biflores incentiva criadores de gado a investirem na selagem de forragens

A associação Biflores está a incentivar os criadores de gado da ilha Brava a investirem no processo de selagem de forragens para garantir o salvamento dos animais nas épocas secas.

Além das ações de sensibilização feitas em grupo ou mesmo individual, a associação já fez até demonstração de como se faz este processo, reunindo criadores de todos os cantos da ilha, de forma a explicar-lhes e demonstrar-lhes as diversas forragens que podem utilizar no processo.

Em declarações à Inforpress, Vani Furtado, técnico da Biflores, contou que o intuito é “mostrar aos criadores de gado como podem auto sustentar as suas atividades pecuárias sem grande esforço”, principalmente nas épocas secas.

Segundo a mesma fonte, é preciso preparar-se na azágua, fazer a plantação de campos de milho, ou capim elefante, uma vez que a produção de pasto na ilha não é tão elevada e os criadores normalmente optam pelo pastoreio livre.

Sendo assim, defendeu que é necessário fazer campos específicos de forragens para depois se proceder à selagem e guardar um pasto com “melhor qualidade para a época seca”.

“Esta prática é uma mais-valia, pois qualquer que seja a forragem, capim elefante, milho ou sorgo, vai permitir aos criadores manter a produção de gado num nível sem quebras”, enfatizou a mesma fonte, reforçando que ao fazer a selagem, o produto vai manter a qualidade, o que não acontece com o pasto que é guardado de forma “inadequada” pelos criadores.

Questionado sobre os meandros do processo, explicou que “é um processo de fermentação anaeróbica onde se faz a trituração da forragem e depois é fechada num tambor de plástico sem a presença de ar e vai fermentar”, reforçando que ao ser triturado concentra uma grande quantidade de gases, mas que depois de um certo tempo vai se estabilizar, baixando o nível do pH, podendo ser conservado por alguns anos sem perder os nutrientes.

Este produto, conforme adiantou, pode ser oferecido aos animais só, mas pode-se também fazer um teste do valor nutritivo e daí repor os valores em falta com outros produtos.

Para o próximo ano, informou que a Biflores pretende chegar mais perto dos criadores antes da época das chuvas,  no sentido de planejarem e se organizarem campos de forragens na época das chuvas e no mês de Novembro fazer uma selagem de forma mais alargada e capaz de garantir a sustentabilidade de cada criador envolvido no processo.

Manuel da Cruz, um criador de gado na ilha, realçou que esta é uma técnica que já conhecem, mas que não a praticam, embora tenha reconhecido que é uma “excelente prática e iniciativa”.

“Nós, os pastores, apostamos mais no pastoreio livre, mas acredito que se adaptarmos a esta prática teremos mais sucesso com o nosso gado que, muitas vezes, nos períodos de seca temos de vendê-los a um preço inferior”, disse o criador, sublinhando que é preciso mais ações de sensibilização no seio da classe para se adaptarem a outras formas de criação e sustento dos animais.

A Biflores é uma associação de conservação da biodiversidade, sediada na ilha Brava, e tem como finalidade a protecção e conservação dos ecossistemas marinhos e terrestres, da sua biodiversidade e dos recursos naturais, bem como fomentar o envolvimento e o desenvolvimento sustentável da comunidade na ilha.

Inforpress

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