Brava: Peixeira considera que sua profissão é um “trabalho nobre” embora seja “pouco reconhecido”

A peixeira Maria Gonçalves considerou que a sua profissão representa um “trabalho nobre” assim como qualquer outra, mantém o sustento da sua família, apesar de as pessoas darem “mínima importância” ao ofício.

Em entrevista à Inforpress, Maria Gonçalves, que reside na Furna, salientou que exerce a profissão há 12 anos “com orgulho”, e que graças a este trabalho “nunca faltou pão na sua casa e nem nada para os meus filhos”.

“Quando comecei a exercer esta profissão vendia o peixe ao ar livre e muitas vezes nas ruas, debaixo de sol, vento e poeiras, mas nunca desiste, pois tinha que sustentar os meus filhos e não via outra área para trabalhar, a não ser vender estes produtos. O meu marido é pescador e sempre vai ao mar pescar, quando regressa com os peixes, eu saio às ruas para o vender”, precisou a peixeira.

Neste sentido, afirmou que tudo o que ela possui hoje é graças a esta profissão, “que muitos não dão valor”.

“Não posso falar da minha profissão sem mencionar o pescador, pois a peixeira só existe por causa dos pescadores, por isso nós valorizamos os nossos pescadores, porque sabemos os sacrifícios que eles passam até conseguirem trazer os pescados para a terra firme”, sublinhou.

Aos clientes que costumam reclamar dos preços do peixe, disse que esses “não conhecem o sacrifício” por que passam os pescadores até conseguirem levar um peixe até a casa do cliente ou então até ao mercado, para ser vendido.

“Na Brava, graças a câmara, as peixeiras hoje em dia não ficam na rua ou ao ar livre para tentar vender os seus produtos, tendo em conta que possuímos de um mercado de peixe, na cidade de Nova Sintra, e é ali que levamos os nossos produtos para ser vendido”, realçou.

Entretanto, disse ainda que além de vender peixes no município, hoje em dia possui clientes na ilha do Fogo e em Santiago, sendo que uma ou duas vezes por semana, “conforme a situação estiver”, envia pescado para venda naquelas ilhas.

Questiona se sabia que a partir deste ano o dia 17 de Maio é comemorado, pela primeira vez em Cabo Verde, como Dia Nacional da Peixeira, a mesma respondeu que isto é novidade para ela, mas congratulou-se com a atitude do Governo em reconhecer a classe, salientando que peixeira também é uma “profissão digna como os outros”.

Hoje, comemora-se pela primeira vez em Cabo Verde o Dia Nacional da Peixeira, cujo a data foi proposta pela Associação Peixeiras de São Vicente, por ter sido criada nessa data a primeira associação de peixeiras do país, com o objetivo de lutar pela defesa dos seus direitos e organização da classe.

Inforpress

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