Cabo Verde precisa diversificar a economia e desenvolver um nível mínimo de atividade industrial, diz diretor nacional

O diretor Nacional da Indústria considerou hoje que a África tem ficado para trás em termos de desenvolvimento industrial, afirmando que há um consenso de que Cabo Verde precisa diversificar e desenvolver um nível mínimo de atividade industrial.

Aposição foi assumida à imprensa, à margem do workshop “Industrializar África: Compromisso Renovado para uma Industrialização Inclusiva, Sustentável e para Diversificação Económica”, realizado hoje pelo Ministério da Indústria, Comércio e Energia, e a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO).

“A África tem ficado para trás em termos de desenvolvimento industrial, tem ainda um caminho para percorrer, e Cabo Verde também não está no nível satisfatório, porque dependemos ainda excessivamente da importação de bens e serviços”, considerou.

Por isso, afirmou que já há um consenso nesta matéria, de que é preciso diversificar a economia e desenvolver um nível mínimo de atividade industrial no país.

Daí, justificou o responsável, está-se a trabalhar neste momento uma nova visão da politica industrial, o “Cabo Verde ambição 2030”.

A tal visão da política industrial, contou, está sendo transformada no programa Cabo Verde Plataforma Industrial e Comercial, no âmbito do plano estratégico de desenvolvimento sustentável.

“Este programa vai traçar as linhas em termos de eixos estratégicos para agir de forma integrada em todas as vertentes, para criar um ecossistema favorável ao maior desenvolvimento industrial no país”, esclareceu.

Tendo em conta que os nichos onde o país pode ser competitivo já estão identificados, o diretor Nacional da Indústria salientou que o foco
é consolidar e expandir as indústrias existentes, e torná-las mais competitivas.

“O grosso da produção industrial de Cabo Verde representa mais de 60%, estando concentrado no sector alimentar e de bebidas que tem o mercado essencialmente interno”, disse, ajuntando que há um grande potencial para crescer mais e ser mais resiliente.

Citando os dados publicados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) de 2021, sublinhou que o sector da indústria no contexto atual foi dos mais resilientes, tendo indicado que caiu 7% enquanto houve uma queda no PIB de cerca de 14 por cento (%).

“E agora, na fase de recuperação, em 2021, por exemplo, os dados mostram que a indústria cresceu 19%, quando a estimativa do crescimento do PIB ronda os 7%”, explicou, realçando que significa que caiu menos, mas que o país está a se recuperar mais rápido, o que na sua perspetiva traduz-se na nova dinâmica no desenvolvimento industrial de Cabo Verde.

Por seu lado, o representante da UNIDO, Christophe Yvetot, defendeu que é muito importante o desenvolvimento da indústria em África, uma vez que, segundo destacou, a crise e o conflito na Ucrânia demonstraram que hoje cada país deve apostar na produção local, quer seja dos produtos alimentares, sanitários, farmacêuticos, e também da energia.

Inforpress

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