CCS diz-se “convergente” com sindicatos na reforma do tecido empresarial 

A Câmara de Comércio de Sotavento (CCS) mostrou esta quarta-feira, 30, na cidade da Praia, “convergência” com os sindicatos na discussão de “alguns assuntos importantes” para a reforma do tecido empresarial cabo-verdiano, nomeadamente, na orientação dos trabalhadores.

Trata-se de uma discussão que implica, segundo o presidente da CCS, Marcos Rodrigues, a questão dos trabalhadores e o enquadramento deles nas novas reformas que se pretendem para o País.

“É a questão da digitalização, da inteligência artificial, da robotização e da preparação dos recursos para os novos tempos. Obviamente que há aqui sectores muito sensíveis na área da formação e preparação de mais recursos para o mercado de trabalho”, acrescentou, este responsável que falava à imprensa à margem de um encontro de trabalho com a secretária-geral da UNTC-CS, Joaquina Almeida.

Por outro lado, disse, as duas organizações estão a discutir assuntos que têm a ver com a questão do Instituto Nacional de Providência Social (INPS) no seu enquadramento e nas suas novas políticas para que sirva, efectivamente, os “contribuintes principais” que são as empresas e os trabalhadores.

“Há uma convergência entre a Câmara de Comércio de Sotavento e os sindicatos no que concerne, efectivamente, à orientação dos activos principais das empresas, que são os trabalhadores. É com os trabalhadores que se gera a riqueza e as empresas e os empresários têm de começar também a perceber que a investir nos seus activos principais, os trabalhadores, têm ganhos substanciais”, disse.

Questionado sobre o que precisa da CCS neste momento, Marcos Rodrigues falou em “muitas coisas”, a começar que o mercado funcione, que seja aberto, que o sector público também seja mais ágil e que se possa quebrar as barreiras da burocracia “que é um dos grandes constrangimentos do desenvolvimento”.

“Nós, infelizmente, temos muita burocracia em Cabo Verde e precisamos quebrar um pouco dessa burocracia. As burocracias estão nas instituições públicas e nas empresas públicas, essencialmente. E nós precisamos desmaterializar um pouco essas ineficiências, introduzindo novas tecnologias, novas práticas e é isso também que o sector privado pretende perseguir”, continuou.

Marcos Rodrigues disse ainda que é preciso que os actores principais que têm a influência de dirigir o mercado, neste caso as instituições públicas, possam facilitar tudo aquilo que são activos positivos para o desenvolvimento.

Ainda nas suas declarações o presidente da CCS ressaltou que os sindicatos e os patrões não têm divergências, mas que podem ter pontos de vistas diferentes num certo sentido.

“Mas há uma coisa que eu posso garantir é que tudo aquilo que é bom para os empregados será bom para os patrões. É preciso requalificar os funcionários, dar-lhes melhores ferramentas e preparar-lhes para que a produção aumente para que a sua contribuição seja valiosa dentro das empresas. E as empresas também têm de reconhecer que tendo recursos humanos qualificados devem remunerá-los em condições”, frisou.

Prosseguindo, Marcos Rodrigues defendeu uma mudança na cultura empresarial porque, segundo disse, a riqueza é algo “muito interessante”, mas também é bom que todos, sem excepção, possam usufruir das riquezas geradas.

“Se você tem empresas ricas com trabalhadores pobres pode crer que esta empresa não deveria existir sequer porque não é isso que é o desenvolvimento. O desenvolvimento é que as empresas devem gerar riquezas mas devem distribuir também as riquezas devidamente para que a sociedade seja justa e digna”, finalizou.

Inforpress

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