Condutores exigem regulamentação dos preços dos transportes interurbanos de passageiros

Condutores de viaturas hiaces, que fazem ligação entre a Cidade da Praia e os municípios de Santiago,  dizem-se prejudicados com o aumento do preço dos combustíveis e exigem a regulamentação dos preços nos transportes interurbanos.

Contactados pela Inforpress no terminal dessas viaturas que se ocupam dos percursos interurbanos, popularmente conhecidas como hiaces, no Sucupira, na Cidade da Praia, os condutores contaram que os preços praticados continuam a ser os mesmos, apesar dos sucessivos aumentos dos preços de combustíveis.

Os profissionais que fazem o trajecto Praia/Santa Catarina mostram-se “revoltados” com a falta da regulamentação do preço, neste trajecto de maior procura por parte dos passageiros e sublinham que além de estarem prejudicados, essa não regulamentação os deixa em “pé de guerra” com os passageiros.  

“Os passageiros se recusam a pagar qualquer valor além do preço normal e exigem um comprovante ou alguma lei que os obriga a pagar a mais. Não querem saber do aumento do preço do combustível, e deixam bem claro que não vão pagar enquanto não ouvirem um comunicado oficial ou alguma lei que regulamenta o preço do transporte de hiace”, contou o condutor Vá.

Neste sentido,  exigem um posicionamento das autoridades em relação aos preços nos transportes interurbanos.

“Para aumentar o preço dos combustíveis, temos uma agência reguladora, agora quando a questão é o preço dos transportes de hiace, já não interferem, e os maiores prejudicados somos nós os condutores, já que o dinheiro que recebemos pelas viagens apenas dá para os combustível”, destacou o condutor Adilson.

Neste momento recebem por cada passageiro o montante de 250 escudos por viagem, mas os condutores querem aumentar para 300 escudos, portanto um acréscimo de 50 escudos.

Os condutores que fazem o trajecto Praia/Santa Cruz adiantam que há quase dois meses tiveram que aumentar 30 escudos no preço do trajecto, que era de 170 escudos e passou para 200 escudos, para reduzir os prejuízos, mas ainda assim declaram que continuam a ser prejudicados.

Por isso sugerem ainda criação de uma tabela “única e justa” para os passageiros e para os condutores.

Caso a situação se mantiver inalterada os hiacistas prometem avançar com “uma paralisação total”.

Em Novembro, a directora-geral dos Transportes Rodoviários, Dina Estela Andrade, disse que não é da competência da Direcção-geral dos Transportes Rodoviários (DGTR) regular os preços dos transportes interurbanos de passageiros, que tem como operadores os hiacistas.

Dina Estela Andrade sublinhou que desde 2018 que a competência da regulação económica do sector dos transportes passou para Agência Reguladora Multissectorial da Economia (ARME).

Entretanto, a ARME, também em Novembro, alegou igualmente que não é a entidade competente para fixar tarifas nos serviços prestados pelos hiaces.

Entretanto o presidente da ARME alertou, na altura,  que os prestadores desses serviços “não devem, nunca, alterar os preços de forma unilateral”, sob pena de, à luz do Regime Jurídico Geral dos Transportes em Veículos Motorizados, poder haver aplicação de coimas, sem prejuízo de sanções acessórias, consubstanciadas no cancelamento ou não renovação de alvarás e/ou licenças.

Inforpress

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