Óscar Santos: “BCV não prevê aumento das taxas de juros pelos menos até Março do próximo ano”

O governador do Banco de Cabo Verde (BCV), Óscar Santos, disse hoje que o banco central “não prevê qualquer aumento das taxas de juros” pelo menos até Março, altura em que é publicado o relatório da política monetária.

Em entrevista à Inforpress, Óscar Santos adiantou que a nível internacional já há sinais de alguns bancos centrais que aumentaram e estão a aumentar as taxas de juros em 2021 e 2022, mas indicou Cabo Verde, à semelhança do que acontece na Europa, também está a conter o aumento dos juros.

“Na zona Euro as indicações do Banco Central Europeu (BCE) e que não se prevê aumentar a taxa em 2022. O BCV também não prevê aumentar as taxas pelos menos até marco, altura em que publicaremos o relatório da Política monetária com as previsões para os próximos meses”, precisou.

Óscar Santos salientou que o BCV esteve na linha da frente desde o início da pandemia, quando logo em Março de 2020 se apercebeu da gravidade da situação e tomou uma série de medidas de carácter prudencial e de apoio monetário, e que foram implementadas a 1 de Abril de 2020.

“De lá para cá, trimestralmente estas medidas têm sido avaliadas, adaptadas ou descontinuadas de acordo com a evolução da situação sanitária e económica. Destacamos dois tipos de medidas: as prudenciais dizem respeito directamente ao sistema financeiro e as medidas de política monetária que influenciam a disponibilidade e o custo do crédito para a economia e para as famílias em particular” indicou.

De entre as medidas adoptadas estão a redução do rácio de solvabilidade dos bancos em pontos percentuais até Dezembro de 2021, passando de 12 para 10%, suspensão, desde 2020 e 2021 da dedução aos fundos próprios dos valores dos bens recebidos em doação, não consideração dos créditos em moratória para os rácios de crédito malparado.

A nível das medidas de política monetária acomodatícia destacou a redução da taxa directora, a tal meta operacional, em 125 pontos base, de 1,5% para 0,25%, a diminuição da taxa das facilidades de cedência de liquidez aos bancos em 250 pontos base, de 3% para 0,5%, a redução da taxa das facilidades de absorção de liquidez em 5 pontos base, de 0,1% para 0,05%.

A redução do coeficiente das disponibilidades mínimas de caixa (DMC) em 300 pontos base, de 13% para 10% A redução da taxa de redesconto em 450 pontos base, de 5,5% para 1%, a criação de um novo instrumento de cedência de liquidez a longo prazo aos bancos, denominado Operação Monetária de Financiamento a Longo Prazo, com maturidade até 3 anos, à taxa de 0,75%.

“Talvez a medida de mais alcance directo nas famílias tenha sido as moratórias apoiadas pelo BCV, pois de outra forma os bancos teriam executado as garantias e as pessoas teriam perdido as garantias que teriam dado”, sustentou.

As moratórias, decididas pelo Governo e que o BCV acompanhou ao nível prudencial, fazem parte de um conjunto de medidas que foram tomadas para mitigar, momentaneamente, os efeitos da perda de rendimento das famílias e das empresas.

Óscar Santos explicou que se não houvesse moratórias, os bancos teriam de executar as garantias ou tomar posse dos bens dos credores, sejam elas as famílias, as empresas ou os pequenos empresários.

Da mesma forma os bancos teriam de contabilizar muitos créditos como malparado, o que implicaria aumentos das provisões e mais custos e consequente deterioração financeira de todo o sistema financeiro, que com o tempo seria repassado à economia através de taxas de juros mais elevadas.

Em números, adiantou que em Junho do ano 2021 o stock de crédito em moratórias atingiu cerca de 25 mil milhões de escudos, equivalente a 20% do total de crédito bancário estimado em 132 mil milhões de escudos.

Inforpress

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